03 maio 2017

Para comemorar os 92 anos de Mãe Stella, foi realizado um almoço aberto na sede do Ilê Axé Opo Afonjá, e Lançamento do Aplicativo de Mãe Stella de Oxóssi!

Cores do app também foram escolhidas por Mãe Stella de Oxóssi: o azul do orixá
(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Ninguém é tão sábio que não tenha necessidade de ser um eterno aprendiz”. Essa é uma das frases que fazem parte do repertório disponível em um aplicativo idealizado e produzido por Mãe Stella de Oxóssi. A Yalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, que completou 92 anos ontem, decidiu festejar inovando - e a frase resume bem a ideia da comemoração. Para ela, não há tempo que impeça o avanço na tecnologia.

O interesse de Mãe Stella pela nova plataforma veio após ler uma reportagem que falava a respeito de aplicativos para celular. Ela, então, perguntou para a filha de santo Graziela Domini, que explicou rapidamente a lógica dos famosos ‘apps’.

Mas foi com o professor Nelson Pretto, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que a ideia da Yalorixá se concretizou e, então, nasceu o app chamado de Orientações de Mãe Stella. E ela própria explica como o projeto surgiu.

Surpresas
Aplicativos como o idealizado por Mãe Stella não são novidade, mas abrangem as religiões católica e evangélica. A ideia, partindo do candomblé, é inovadora e chegou a causar espanto.

“É um esforço interessante, que nasce de uma ideia dela. Fui fazer uma visita a Mãe Stella e ela me disse: ‘Professor, precisamos de um aplicativo’. Comecei a dar risada, 90 e tantos anos e querendo um aplicativo?”, lembrou o pesquisador Nelson Pretto, que é professor da Faculdade de Educação da Ufba. Foi ele que se mobilizou para fazer o intermédio entre os desenvolvedores e o terreiro para a produção do conteúdo.

O desenvolvedor da ferramenta também ficou surpreso com a iniciativa da ialorixá. “Eu fiquei bastante surpreso, nunca imaginei que Mãe Stella fosse ter essa ideia. Mas me inspirei a desenvolver aplicativos para outras religiões. Eu tenho aproveitado o conhecimento adquirido
nessa experiência para desenvolver aplicativos para outras linhas, cabalísticas, espiritualistas”, conta Lucas Cascudo, que desenvolveu o software.

Recebendo orientações
“Às vezes, a gente está conversando (ela e Graziela), nós fazemos tantas conversas, são conversas profundas, que a gente diz que fazemos um seminário. E foi por trás disso que veio o aplicativo e um livrinho de pensamentos também”, conta Mãe Stella.

Toda a ideia do aplicativo veio dela, até as cores: tons de azul, de seu orixá regente. “Ela viu um aplicativo da Caixa e gostou das cores e pediu que a gente fizesse desse jeito”, diz Lucas, o desenvolvedor.

O uso do aplicativo é bem simples. Basta abrir e ler as mensagens ou dar play no áudio para ouvir a frase com a voz da própria Mãe Stella de Oxóssi. Depois, é só apertar outro botão para avançar e ouvir/ler outro pensamento.

RegistrosIalorixá, Mãe Stella também é conhecida por suas publicações, todas com a temática do candomblé, levando a religião que tem tradição oral para outras expressões. O professor Nelson Pretto destaca o compromisso da líder religiosa com formalização da religião.

“O que ela queria, na verdade, era a ideia de deixar registrado, de ter um registro grande de toda cultura do candomblé, afro-brasileira. Mãe Stella tem uma responsabilidade muito grande nisso, sempre uma pessoa que escreve muito, fala muito”, analisa.

Para ele, o aplicativo completa essa missão. “Vem pra ajudar, um aplicativo muito simples, muito singelo, o início de um registro mais permanente dessa importância”. Ao todo, são 60 gravações no acervo do aplicativo, com pensamentos que falam sobre amor, sabedoria, evolução espiritual, generosidade e outros temas. O app também teria outras seções, como uma parte dedicada ao iorubá, mas que acabou sendo deixada de lado por dificuldade de fazer as gravações com José Beniste, um especialista no idioma que mora no Rio de Janeiro.

Para o antropólogo e poeta Marlon Marcos, o aplicativo causa estranhamento, mas deve ser visto como uma boa intenção da casa de axé. “A questão do app, eu vi com certo estranhamento, porque teve um período que as pessoas estavam tentando fazer histórias em quadrinhos e colocar orixás como super-heróis, como Mulher Maravilha, Super-Homem. Mas, quando trata da questão da plataforma e a intenção dela, ela é sempre muito bem intencionada e as pessoas por trás dela também. Ela não está sozinha, tem gente que faz parte do alto escalão do terreiro que avalia o que é criado”, pontua.

O antropólogo Marlon Marcos também alerta para a possibilidade de essa atitude virar uma lógica de mercado. “No sentido de ensinamentos, eu acho que perpetua, mas tudo isso tem a ver com uma lógica que, para mim, não é religiosa, é de mercado. E a gente tem que tomar cuidado. Mesmo as casas mais autorizadas têm que tomar cuidado”, completa.

AniversárioPara comemorar os 92 anos de Mãe Stella, foi realizado um almoço aberto na sede do Ilê Axé Opo Afonjá, no bairro de São Gonçalo do Retiro, para frequentadores e a comunidade. Antes do almoço, vestida de azul, a ialorixá foi para o quarto descansar o “o corpo cansado de 92 anos”, como descreve, e contou o que deseja para a humanidade nos próximos anos.

“Estamos nessa luta aí e vamos ficar até o fim da vida e, com certeza, vai dar certo. A gente está ajudando a humanidade. A humanidade precisa de quem acredita na espiritualidade. Antes, as pessoas achavam que era só feitiço, agora as pessoas que eram de instrução estão envolvidas com o candomblé e já se valoriza mais”, avalia.

Mãe Stella aconselha que a humanidade se dedique a ter menos inveja e pensar em boas ações. “Tenha cabeça para pensar no verdadeiro, nas boas ações e no bem dos outros, que o mundo perca essa avareza, todo mundo tem inveja dos outros”, completa.

Ministros irão visitar terreiro do Afonjá
Nesta quarta-feira (4), uma comitiva formada por ministros de países de língua portuguesa irá visitar o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, liderado por Mãe Stella de Oxóssi há 40 anos, para conhecer as obras que funcionam no lugar.

A visita faz parte do X Encontro Ministros da Cultura - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que terá representantes do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor Leste e São Tomé e Príncipe.

Na lista da visita estão a Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, a exposição de obras dos artistas do terreiro , a Biblioteca Maria Stella de Azevedo Santos, o Museu Ilé Òhun Lailai, o Busto de Mãe Aninha, creche, Casa de Cultura Òdé Káyodé, Casa do Alaká e Praça Òdé Káyodé.


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O QUE SÃO OGÃNS?

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Ser Ogam é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando pontos para as entidades, médiuns e assistentes. Ser Ogam é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, humildade, concentração, responsabilidade, mediunidade e amor. O Ogam é o responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação, pela parte física e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogam pode incorporar, porém, a sua mediunidade manifesta-se normalmente, de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta, principalmente, através da intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais. Os atabaques, quando devidamente consagrados e ativados pelos Ogãns, são verdadeiros instrumentos de auxílio espiritual, pois são capazes de canalizar, concentrar e irradiar energias que tanto podem ser movimentadas pelo próprio Ogam como pelas entidades de trabalho para os mais diversos fins