30 setembro 2012

Centenário da Umbanda

“Um dia histórico em que o toque do atabaque ecoou nos quatro cantos do Brasil. Um grito de liberdade, respeito, dignidade, reconhecimento da Umbanda”. Esse foi o depoimento do novo diretor de Proteção do Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Cultural Palmares, Maurício Reis, ao participar da Sessão Solene em homenagem aos 100 anos da Umbanda no Brasil.
Apesar de a data ser oficialmente comemorada pela comunidade umbandista brasileira somente no dia 15 de novembro, a Câmara dos Deputados resolveu fazer uma homenagem já nesta segunda-feira (10/11), até mesmo, para chamar a atenção dos meios de comunicação para a importância da única religião genuinamente brasileira.

Idealizada pelos deputados Vicentinho e Carlos Santana, ambos do PT, a solenidade pôde ser considerada um marco na história do país. Transmitida pela TV Câmara e pela Internet, ao vivo, Vicentinho abriu o evento defendendo uma política de tolerância religiosa, demonstrada por ele mesmo ao se declarar praticante do catolicismo, mas um admirador incontestável das tradições e da força da religião afro-brasileira. “Como os amigos sabem, sou católico apostólico romano da Teologia da Libertação e caminho com o Frei Beto nesta luta pela igualdade. Aprendi, há muito tempo, com a Teologia da Libertação, que professar uma religião é uma dádiva de Deus; que professar uma religião não é algo exclusivamente para nós católicos, evangélicos ou espíritas. Afinal, Deus não deixou intérpretes para dizer qual o caminho mais correto”.

Também presidente da Frente Parlamentar pela Defesa dos Quilombos e Quilombolas, o deputado Vicentinho fez um importante pedido para concretizar o respeito às culturas afro-brasileiras. “Gostaria de pedir a autorização das pessoas presentes para entrar em contato com o Governo Federal, caro amigo Perly Cipriano, e com o Presidente dos Correios, para propor a eles que, por respeito e por dignidade, façam o favor de elaborar um selo comemorativo aos 100 anos da Umbanda no Brasil”.

Em seguida, o deputado Carlos Santana enfatizou a mudança do ensino religioso nas escolas brasileiras e pela valorização e conscientização das religiões de matriz africana. O deputado esclareceu que é fundamental a presença da família no processo de educação para que as crianças não cresçam preconceituosas: “O preconceito é introduzido pelos meios de comunicação nas famílias e nós aprendemos desde cedo o preconceito”. E seguiu, “a umbanda é uma religião que cresce a cada dia, que não tem preconceitos, aceita todos igualmente, que não cobra dízimos. Talvez por isso seja tão perseguida”.

O deputado, que é autor de um projeto que determina o dia 15 de novembro como Dia Nacional da Umbanda, criticou ainda, a própria Casa Legislativa, que não apreciou a matéria, apesar de estar há meses parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Santana também fez uma proposta, que a partir do próximo ano, seja concedida uma sala da Câmara dos Deputados para que, uma vez por mês, os praticantes das religiões de matriz africana possam realizar seus cultos e palestras. “Se quisermos acabar com o preconceito, temos que começar a demonstrar a tolerância e a liberdade religiosa aqui dentro da Casa”, disse.

Para encerrar a cerimônia, o diretor da Diretoria de Proteção do Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Cultural Palmares, Maurício Reis, foi convidado a fazer soar o ataque, característica marcante da religião umbandista, e comandar os cânticos de adoração no Plenário Ulisses Guimarães, local onde se tomam as mais importantes decisões políticas do país.


“O dia 10 de novembro de 2008, ficará marcado na história deste país, pois foi veiculado nos meios de comunicação a solenidade em comemoração do centenário da Umbanda no Brasil no Plenário da Câmara dos Deputados, que levou a informação da história da umbanda para milhares de pessoas que assistiram ao vivo os depoimentos, cânticos e os toques. É um marco contra a intolerância religiosa, o preconceito e as possibilidades de conquistas para uma religião discriminada neste país”, afirma Maurício.


Que viva os 100 anos da Umbanda no Brasil!

29 setembro 2012

210 mil pessoas participam da Quinta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa

"É claro que me sinto surpreso em saber que o número de pessoas ultrapassou o que a Comissão (de Combate à Intolerância Religiosa) esperava. Tínhamos o objetivo de levar 200 mil para a Avenida Atlântica. Dez mil além do esperado só mostra o quanto o esforço desse trabalho, por um Brasil democrático e onde as pessoas respeitam os credos alheios, tem conquistado todos os setores da sociedade", disse o interlocutor do grupo de vários segmentos religiosos, babalawo Ivanir dos Santos, ao ser informado sobre o número de participantes, ao fim da Quinta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que ocorreu hoje, na Praia de Copacabana. Segundo a coordenação de Infraestrutura do evento, 45 mil assistiram ao espetáculo da cantora Margareth Menezes, principal atividade cultural da Caminhada, na Praça do Lido.
 Desde o início de setembro, a Comissão enviou aos candidatos a prefeito do Rio de Janeiro uma carta-compromisso, a fim de que a liberdade religiosa esteja garantida por aquele que assumir. O atual prefeito, Eduardo Paes, foi representado pelo vice de sua chapa, Adilson Pires. Marcelo Freixo (PSOL) fez questão de assinar o documento e acompanhar os caminhantes na Princesinha do Mar. Cyro Garcia (PSTU) e Otávio Leite (PSDB) se manifestaram com interesse em assinar, porém pediram à Comissão de Combate à Intolerância Religiosa que outra oportunidade fosse estudada por conta de compromissos com agendas de campanhas.
Dessa forma, na presença de mais de 25 representações religiosas e de várias autoridades, incluindo a chefe da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), delegada Marta Rocha, Freixo comprometeu-se com uma administração "em que o medo de ser livre, de qualquer forma, não exista". Aplaudido, o candidato do PSOL recebeu das mãos de Ivanir dos Santos o livro "Caminhando a Gente se Entende", lançado em janeiro deste ano, com imagens das quatro caminhadas anteriores. "Assinar a carta é muito importante. No entanto, a prática é essencial para que se acabe de verdade com as exclusões", declarou Marcelo Freixo.
“Uma coisa que tem crescido no Brasil: é a ideia fascista de que só tem um caminho. Isso vem interferindo na educação e no mercado de trabalho, por exemplo, porque excluiu pessoas de oportunidades com base na opção religiosa”, disse o babalawo após a fala de Marcelo Freixo.
Depois da coletiva de imprensa, dezenas de ônibus, vans e carros lotados chegavam de vários lugares à concentração, no Posto Seis. A Quinta Caminhada contou com participantes de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e diversos municípios do Estado do Rio. Mesmo com sol forte, as pessoas entoaram cânticos religiosos e exibiram dezenas de faixas com pedidos de aplicação da Lei 10.639/03, que prevê a implementação dos estudos das histórias da África e da Cultura Afro-brasileira nas escolas de todo o País, além do Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Chamada por Santos de "ministra do povo", Luíza Bairros (Seppir) andou com os religiosos desde a concentração até o fim da apresentação de Margareth Menezes e, no carro de som, dedicou suas falas aos clamores de liberdade. " Eu estou muito emocionada de ver tanta gente em prol de uma causa tão nobre. Respeitar o próximo é fundamental para um convívio de paz e por um Brasil realmente de todos. Parabéns para a Comissão, parabéns, Ivanir, por conseguir articular todas essas religiões", falou. 
Diversos segmentos foram solidários aos muçulmanos por conta do filme "Innocence of Muslims", que trata de uma suposta biografia do profeta Muhammad, estereotipando-o como homossexual, mulherengo e pedófilo. O grupo deixou claro seu repúdio contra a obra e declarou apoio aos seguidores do Islamismo, afirmando que nenhum desrespeito religioso pode ser permitido.     
Margarteh Menezes subiu ao primeiro trio às 15h e conseguiu animar até mesmo a ministra Luíza Bairros, que, meio aos populares, dançou até o fim. Antes de fechar o repertório, Menezes agradeceu o apoio da Rede Globo, o patrocínio da Petrobras, aos órgãos municipais e estaduais que trabalharam pelo bom andamento da Caminhada, e passou a palavra ao interlocutor. "Nós, religiosos, estamos de parabéns. Mostramos, mais uma vez, que além de possível é maravilhoso aprender um pouco um do outro e não aceitar que nos demonizem, principalmente a Umbanda e o Candomblé. Esta foi uma caminhada que teve muitas dificuldades para sair, mas Ifá (conjunto de sabedoria divina para seguidores do Candomblé) não mente, e todo verdadeiro religioso vence por confiar no Divino", finalizou Ivanir dos Santos.

28 setembro 2012

A CASA ESPIRITA DE UMBANDA SANTA BARBARA

MÃE EDWIRGEM 

A CASA ESPIRITA DE UMBANDA SANTA BARBARA QUE FICA LOCALIZADA NA CIDADE DE AREIA BRANCA R/N, NA RUA: MESTRE SILVERIO BARRETO S/N QUE TEM A FRENTE A IALORIXÁ MÃE EDWIRGEM DE IANSÃ CONVIDA A TODOS OS ADEPTOS E SIMPATIZANTES DA  RELIGIÃO DE MATRIZ AFRICANA, PARA PARTICIPAR DA FESTA DO MESTRE ZÉ PELINTRA HOJE DIA 28/09/2012 ÁS 19:30 ASSIM MANTENDO A TRADIÇÃO DA CASA
  
AGREDECE A TODOS QUE FAZ PRESENTE:


As fotos da festa vai ser colocada

25 setembro 2012

Malandros

Os malandros podem ser considerados entidades regionais, já que grande parte de suas manifestações se dá no Rio de Janeiro. 
Malandros são entidades de Umbanda cultuada nesse estado e cujo maior representante é Zé Pelintra.
Em geral, os Malandros quando lhes é dada essa possibilidade, vestem-se de branco, com o sapato e chapéu combinando, adornados com detalhes em vermelho e raramente preto.
Existem algumas exceções e essa regra como é o caso do Malandro Zé Pretinho, que veste terno preto e bengala, e por isso é facilmente confundido com Exu. 
Ha também muitos Malandros que encarnam a figura do sambista, com camisa listrada e chapéu panamá.
Ha também mulatas, figuras femininas dos malandros, e as "Marias" entidades de nome mais populares. Muitas delas com histórias divulgadas além da Umbanda, como no caso da Rosa Palmeirão, citada em alguns livros de Jorge Amado, que hoje são entidades da linha dos malandros. 
Outras entidades que hoje também são tidas como malandros são provenientes da jurema e do catimbó, onde são mestres e encantados. 
Texto retirado do livro "Esquerda na Umbanda", de Janaina Azevedo Corral.

24 setembro 2012

Exú Mirim


Maria das Rosas, como era conhecida, trabalhou muito tempo na rua, vendia quitutes pela manhã e a noite era dançaria, onde encantava os homens com suas danças sexuais. Em uma noite estrelada, chegou a casa onde ela trabalhava, um coronel poderoso da cidade, que se apaixonou por ela. Nessa paixão, ele mesmo sendo casado, montou uma casa para ela, mas o destino acabou levando o coronel à morte, em uma tocaia, porém Maria das Rosas, estava grávida de dois meses. A mulher do coronel, ficou sabendo do assunto, e foi atrás de Maria, que teve que fugir da pequena cidade, mas como era poderosa, a esposa traída, mandou perseguir Maria das Rosas. Perto de completar nove meses de gestação, os capangas conseguiram achar Maria, abusaram, violentaram e a jogaram, quase morta, perto da fonte da praça, foi achada pelo um jovem soldado, que fez o parto, já nos últimos suspiros de vida, ela disse ao jovem que o menino chamaria João das Cruzes. João foi levado para o orfanato da cidade, e a mulher do coronel, o adotou, e o jogou nas mãos dos empregados da casa, pois como ela dizia ele era o “bastardinho, filho de um ventre podre”, e assim foi criado, entre maus tratos e muita violência, com sete anos, ele foge, e aprende na vida a se virar, roubando, e sendo menino de recado. João sempre roubava a igreja, e o sumiço da coleta, intrigava a policia da religião, o padre não sabia mais o que fazer. Em um domingo de sol, após a missa da manhã, os guardas ficaram a espreita para pegar o dito bandido, e de repente o dinheiro sumiu! Olharam para um lado e para o outro e nada, até que avistaram um vulto, e correram atrás, como eles gritavam e o pequeno dono do vulto negro, continuava a correr, acabaram atirando pelas costas, quando viram que era uma criança, ficaram desesperados, e levaram o corpo para a fazenda, onde a mulher do coronel, que adotou o menino, falou que não o conhecia, então o corpo de João foi enterrado como indigente, mas os empregados da fazenda, começaram a cultuar João das Cruzes, levando a ele doces e brinquedos no tumulo.

No pós-morte, os espíritos de luz, tentaram levar João, contudo o menino já entendia a maldade do mundo, e como vingança, começou a perturbar a tal dona da fazenda que o maltratara demais, até que a levou a loucura, João então começou a assombrar a fazenda, e os criados, com muita reza e rituais, começaram a levá-lo a luz, mas até então o menino que se chamava João das Cruzes, ficou conhecido como Exú Mirim.

22 setembro 2012

Mensagem do Exu de Lei

"A Lei do retorno deve ser cumprida e executada. Seguindo a verdade dessa afirmação, qualquer um possuidor de luz divina tem a permissão de executá-la, encarnado ou não, assim como Jesus em sua passagem pelo plano Terra concedeu a permissão da expulsão de obsessores e demônios que dominassem algum filho de Deus.

Seguindo essas verdadeiras palavras, confirmadas através dos tempos, conclui-se mais uma vez que a Lei do retorno existe e sempre existirá para ser cumprida e executada em nome da Justiça Divina.

Mas não deixe se enganar por aqueles que por dar uma esmola, por ajudar o próximo e assistir missas, por seguir uma doutrina, por bater um tambor, por lavar uma cabeça, por receber uma benção, julgar-se capaz de cumprir e executar essa Lei. Pense que a cada mil, nenhum será digno. Que a cada dois mil, nenhum será digno. Sabe-se lá ao meio de quantos apenas esse ou aquele tem a permissão para executar essa Lei.

Como saber? Indo a fundo em seu próprio interior para buscar a Luz Divina. E prepará-la para vir à tona. A preparação é árdua, requer conhecimento, paciência, sensibilidade, humildade e força espiritual. Só assim, após longa caminhada de preparação tem-se a capacidade de poder fazer cumprir e executar a Lei do retorno. Reflita na longa caminhada; nas entidades espirituais; pense na longa caminhada dos espíritos que hoje se encontram dentro da Luz. Muitos precisaram de várias reencarnações, muitos precisaram de longo tempo mesmo após sua existência, em algum ponto do mundo espiritual para ter a permissão de fazer cumprir e executar a Lei do retorno.

Diante dessa verdade, não espere por justiça, faça por merecer.”

- Exu de Lei (Mensagem recebida em 20 de junho de 2009 pelo médium Alberto Magno, Equipe Genuína Umbanda)

20 setembro 2012

II Seminário – “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco” - 21 de setembro de 2012

 
II Seminário – “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco”

Dando continuidade às ações contra a intolerância religiosa no Estado, observando a ausência de ações concretas contra os crimes ocorridos nos últimos meses, a Comissão Estadual de Acompanhamento Contra Intolerância Religiosa de Pernambuco realizará no próximo dia 21 de setembro no CTCD – Nascedouro de Peixinhos às 14h o 2° seminário “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco”. Com a proposta de articular ações concretas contras os crimes de intolerância às comunidades tradicionais de terreiro. A Comissão traz oficialmente a Dra. Marga Janete Ströher, da Assessora da Política de Diversidade Religiosa Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos Secretaria de Direitos Humanos Presidência da República para discutir e elaborarmos um plano estratégico para o combate desta questão. Estarão presentes sacerdotes e sacerdotisas que sofreram as intolerâncias presencialmente e o Povo de Terreiro. Neste seminário também será apresentada a sistematização de todas as propostas do 1° seminário realizado no Palácio de Iemanjá no dia 21 de agosto de 2012.


Programação


Local: CTCD - Nascedouro de Peixinhos – Olinda/PE

21 de setembro de 2012
Contatos:

14h. Abertura religiosa;


14h e 30min. Contextualização da Intolerância Religiosa em Pernambuco – Palestrante: Alexandre L’Omi L’Odò;


15h. Relatos orais da intolerância religiosa: Babalorixá Vicente de Xangô;


15h. e 25min. Intolerância Religiosa no cotidiano - Professor Carlos André (Membro da Comissão Nacional de Combate a Intolerância Religiosa);


15h e 50min. Intolerância Religiosa no Brasil - Professor Jayro Pereira de Jesus – Coordenador da Associação de Teólogos Afro Indígenas (em vídeo conferência do RS);


16h e 15min. Relatos orais da intolerância religiosa: Babalorixá Ivon de Oyá;


16h e 35min. Terceiro momento: Fala do representante do Governo do Estado de Pernambuco;


16h e 50min. Relatos orais da intolerância religiosa: Babalorixá Érico Lustosa;


17h e 10min. Fala da Dra. Marga (Representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República);


18h. Fechamento.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Exemplo: Caminhada contra a intolerância religiosa.


A CCIR é formada por diversas entidades, incluindo Federação Israelita do Rio de Janeiro, Congregação Espírita Umbandista e outras vinculadas protestantes, católicos, muçulmanos, budistas, adeptos do candomblé, e de grupos religiosos ciganos e indígenas.A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Brasil (CCIR) condenou publicamente o filme A Inocência dos Muçulmanos, classificando seu conteúdo de “desrespeitoso”. A organização está realizando uma série de atividades para reforçar a diversidade de culto no país e “repudia qualquer manifestação que deprecie crenças e falte com o respeito ao sagrado das religiões”, segundo comunicado oficial.

O filme em questão está gerando uma série de manifestações pacíficas e violentas em várias partes do mundo. “É um filme altamente ofensivo, e de maneira gratuita ofende Maomé, mostra os muçulmanos como bárbaros e incentiva o ódio”, disse Sami Isbelle, integrante da Sociedade de Beneficência Muçulmana do Rio de Janeiro. A Sociedade condenou também as reações violentas geradas pelo filme, que seriam “contrárias à postura islâmica”.
A CCIR surgiu em 2008, com o objetivo de defender grupos religiosos de matriz africana dos ataques de setores ligados a igrejas neopentecostais. Esta semana foi realizada a 5ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro.
Cerca de 200 mil pessoas convocadas pela CCIR, e pertencentes a cerca de 25 grupos religiosos, clamaram pelo “fim dos preconceitos e atos de violência contra praticantes de diversos credos” e aproveitaram para pedir dos candidatos à prefeitura um compromisso com a diversidade religiosa da cidade.
“Não pode haver falta de respeito contra nenhuma religião”, disse Maria Isabel Carvalho, adepta do candomblé. “Qualquer manifestação ofensiva contra uma religião deve ser combatida”, destacou o sacerdote católico Leonardo Holtz, que fez uma comparação ao que considera um episódio “similar” aqui no Brasil.
Holtz falava de “O Segundo Filho de Deus”, filme anunciado pelo humorista Renato Aragão, mas que foi abandonado depois da reação negativa de grupos católicos e evangélicos.
O representante da Comunidade Bahá’í do Brasil, Iradj Roberto, afirmou: “É fundamental que nós vejamos a terra como um só país; é fundamental considerar todas as religiões como uma só”.
Para a diretora da área de relações externas do Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro (CEERJ), Cristina Brito, é preciso diferenciar a ‘religião’ e os ‘religiosos’: “Se os homens seguissem os ensinamentos religiosos, estariam contribuindo para a abolição de toda forma de intolerância presente no mundo”, afirmou ela durante a coletiva de imprensa que antecedeu o evento. “O problema é que os homens interpretam os versículos sagrados e buscam utilizá-los para benefício próprio, para atender as vaidades do ego e não a Deus”, analisou.

18 setembro 2012

Erês (As Crianças)



Dão a alegria que contagia a Umbanda. 
Descem nos terreiros simbolizando a pureza, a inocência e a singeleza. 
Seus trabalhos se resumem em brincadeiras e divertimentos. Podemos pedir-lhes ajuda para os nossos filhos, resolução de problemas, fazer confidências, mexericos, mas nunca para o mal, pois eles não atendem pedidos dessa natureza. 
São espíritos que já estiveram encarnados na terra e que optaram por continuar sua evolução espiritual através da prática de caridade, incorporando em médiuns nos terreiros de Umbanda. 
Em sua maioria, foram espíritos que desencarnaram com pouca idade (terrena), por isso trazem características de sua última encarnação, como o trejeito e a fala de criança, o gosto por brinquedos e doces.
Assim como todos os servidores dos Orixás, elas também tem funções bem específicas, e a principal delas é a de mensageiro dos Orixás, sendo extremamente respeitados pelos caboclos e pelos pretos-velhos. 
É uma falange de espíritos que assumem em forma e modos, a mentalidade infantil. 
Como no plano material, também no plano espiritual, a criança não se governa, tem sempre que ser tutelada. 
É a única linha em que a comida de santo (Amalás), leva tempero especial (açúcar). 
É conhecido nos terreiros de Nação e Candomblé, como (ÊRES ou IBEJI). Na representação nos pontos riscados, Ibeji é livre para utilizar o que melhor lhe aprouver. 
A linha de Ibeji é tão independente quanto à linha de Exu. Ibeijada, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são esses vários nomes para essas entidades que se apresentam de maneira infantil. No Candomblé, o Erê, tem uma função muito importante. 
Como o Orixá não fala, é ele quem vem para dar os recados do pai. 
É normalmente muito irrequieto, barulhento, às vezes brigão, não gosta de tomar banho, e nas festas se não for contido pode literalmente botar fogo no oceano. 
Ainda no Candomblé, o Erê tem muitas outras funções, o Yaô, virado no Erê, pode fazer tudo o que o Orixá não pode, até mesmo as funções fisiológicas do médium, ele pode fazer. 
O Erê muitas vezes em casos de necessidade extrema ou perigo para o médium, pode manifestar-se e trazê-lo para a roça, pegando até mesmo uma condução se for o caso.
Na Umbanda mais uma vez, vemos a diferença entre as entidades/divindades. 
A Criança na Umbanda é apenas uma manifestação de um espírito cujo desencarne normalmente se deu em idades infanto-juvenis. 
São tão barulhentos como os Erês, embora alguns são bem mais tranqüilos e comportados. No Candomblé, os Erês, tem normalmente nomes ligados ao dono da coroa do médium. 
Para os filhos de Obaluaiê, Pipocão, Formigão, para os de Oxossi, Pingo Verde, Folinha Verde, para os de Oxum, Rosinha, para os de Yemanjá, Conchinha Dourada e por ai vai. 
As Crianças da Umbanda tem os nomes relacionados normalmente a nomes comums, normalmente brasileiros. Rosinha, Mariazinha, Ritinha, Pedrinho, Paulinho, Cosminho, etc...
As crianças de Umbanda comem bolos, balas, refrigerantes, normalmente guaraná e frutas, os Erês do Candomblé além desses, comem frangos e outras comidas ritualisticas como o Caruru, etc... Isso não quer dizer que uma Criança de Umbanda não poderá comer Caruru, por exemplo. 
Com Criança tudo pode acontecer. Quando incorporadas em um médium, gostam de brincar, correr e fazer brincadeiras (arte) como qualquer criança. 
É necessária muita concentração do médium (consciente), para não deixar que estas brincadeiras atrapalhem na mensagem a ser transmitida. 
Os "meninos" são em sua maioria mais bagunceiros, enquanto que as "meninas" são mais quietas e calminhas. Alguns deles incorporam pulando e gritando, outros descem chorando, outros estão sempre com fome, etc... Estas características, que às vezes nos passam desapercebido, são sempre formas que eles têm de exercer uma função específica, como a de descarregar o médium, o terreiro ou alguém da assistência. 
Os pedidos feitos a uma criança incorporada normalmente são atendidos de maneira bastante rápida. Entretanto a cobrança que elas fazem dos presentes prometidos também é. Nunca prometa um presente a uma criança e não o dê assim que seu pedido for atendido, pois a "brincadeira" (cobrança) que ela fará para lhe lembrar do prometido pode não ser tão "engraçada" assim. 
Poucos são aqueles que dão importância devida às giras das vibrações infantis. A exteriorização da mediunidade é apresentada nesta gira sempre em atitudes infantis. O fato, entretanto, é que uma gira de criança não deve ser interpretada como uma diversão, embora normalmente seja realizada em dias festivos, e às vezes não conseguimos conter os risos diante das palavras e atitudes que as crianças tomam. 
Mesmo com tantas diferenças é possível notar-se a maior características de todos, que é mesmo a atitude infantil, o apego a brinquedos, bonecas, chupetas, carrinhos e bolas, como os quais fazem as festas nos terreiros, com as crianças comuns que lá vão a busca de tais brinquedos e guloseimas nos dias apropriados. 
A festa de Cosme e Damião, santos católicos sincretizados com Ibeiji, à 27 de Setembro é muito concorrida em quase todos os terreiros do pais. Uma curiosidade: Cosme e Damião foram os primeiros santos a terem uma igreja erigida para seu culto no Brasil. Ela foi construída em Igarassu, Pernambuco e ainda existe. Não gostam de desmanchar demandas, nem de fazer desobsessões. 
Preferem as consultas, e em seu decorrer vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Esses seres, mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam sobre eles. 
Muitas entidades que atuam sob as vestes de um espírito infantil, são muito amigas e têm mais poder do que imaginamos. Mas como não são levadas muito a sério, o seu poder de ação fica oculto, são conselheiros e curadores, por isso foram associadas à Cosme e Damião, curadores que trabalhavam com a magia dos elementos. 
MAGIA DA CRIANÇA O elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são... todos, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos. 
Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem. Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa, atuam em qualquer tipo de trabalho, mas, são mais procurados para os casos de família e gravidez. 
A Falange das Crianças é uma das poucas falanges que consegue dominar a magia. 
Embora as crianças brinquem, dancem e cantem, exigem respeito para o seu trabalho, pois atrás dessa vibração infantil, se escondem espíritos de extraordinários conhecimentos. Imaginem uma criança com menos de sete anos possuir a experiência e a vivência de um homem velho e ainda gozar a imunidade própria dos inocentes. A entidade conhecida na umbanda por erê é assim. 
Faz tipo de criança, pedindo como material de trabalho chupetas, bonecas, bolinhas de gude, doces, balas e as famosas águas de bolinhas -o refrigerante e trata a todos como tio e vô. Os erês são, via de regra, responsáveis pela limpeza espiritual do terreiro. 
ONDE MORAM AS CRIANÇAS A respeito das crianças desencarnadas, passamos a adaptar um interessante texto de Leadbeater, do seu livro "O que há além da Morte". 
"A vida das crianças no mundo espiritual é de extrema felicidade. O espírito que se desprende de seu corpo físico com apenas alguns meses de idade, não se acostumou a esse e aos demais veículos inferiores, e assim a curta existência que tenha nos mundos astral e mental lhe será praticamente inconsciente. Mas o menino que tenha tido alguns anos de existência, quando já é capaz de gozos e prazeres inocentes, encontrará plenamente nos planos espirituais as coisas que deseje. A população infantil do mundo espiritual é vasta e feliz, a ponto de nenhum de seus membros sentir o tempo passar. As almas bondosas que amaram seus filhos continuam a amá-los ali, embora as crianças já não tenham corpo físico, e acompanham-nas em seus brinquedos ou em adverti-las a evitar aproximarem-se de quadros pouco agradáveis do mundo astral." 
"Quando nossos corpos físicos adormecem, acordamos no mundo das crianças e com elas falamos como antigamente, de modo que a única diferença real é que nossa noite se tornou dia para elas, quando nos encontram e falam, ao passo que nosso dia lhes parece uma noite durante a qual estamos temporariamente separados delas, tal qual os amigos se separam quando se recolhem à noite para os seus dormitórios. Assim, as crianças jamais acham falta do seu pai ou mãe, de seus amigos ou animais de estimação, que durante o sono estão sempre em sua companhia como antes, e mesmo estão em relações mais íntimas e atraentes, por descobrirem muito mais da natureza de todos eles e os conhecerem melhor que antes. E podemos estar certos de que durante o dia elas estão cheias de companheiros novos de divertimento e de amigos adultos que velam socialmente por elas e suas necessidades, tomando-as intensamente felizes." 
Assim é a vida espiritual das crianças que desencarnaram e aguardam, sempre felizes, acompanhadas e protegidas, uma nova encarnação. 
É claro que essas crianças, existindo dessa maneira, sentem-se profundamente entristecidas e constrangidas ao depararem-se com seus pais, amigos e parentes lamentando suas mortes físicas com gritos de desespero e manifestações de pesar ruidosas que a nada conduzem. O conhecimento da vida espiritual nos mostra que devemos nos controlar e nos apresentar sempre tranquilos e seguros às crianças que amamos e que deixaram a vida física. Isso certamente as fará mais felizes e despreocupadas.

12 setembro 2012

Título:1° PLENÁRIA PERMANENTE DO FONSANPOTE- Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e Povo de Terreiro EM NATAL - RN

FORUM NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DOS POVOS DE TERREIRO EM NATAL - RN - 17 a 20 de outubro de 2012...

Em novembro de 2011 tivemos coragem de dar um passo audacioso, pois o tomávamos sem pedir licença ou permissão criamos uma instância de debate, proposição orientação e acompanhamento de políticas voltadas a questão de segurança alimentar e nutricional, formado por aqueles detentores da tradição de matriz africana no Brasil assim reconhecidos legalmente pelo decreto 6040.


Desde então vimos na busca da organização deste processo.


1º constituição da carta de princípios


2º indicação de um representante para o CONSEA


3º Realização de uma Plenária Permanente do FONSANPOTE – objetiva definir o nome e constituir o plano de ação do FONSANPOTE . Esta programada para o ano de 2012.


Desta forma estamos propondo, dentro do que é possível, para que o item 3º realize-se no mês de novembro.


No mês de agosto no período de 29 a 31 de agosto ocorre a "Oficina de Trabalho: Plano Nacional de Desenvolvi​mento Sustentável dos Povos e Comunidade​s Tradicional​is de Matriz Africana", realizada pela SEPPIR e que dá continuidade ao seminário realizado no final de 2011 de mesmo nome. Neste evento participaram 11 estados do total de 22 fundadores do FONSANPOTE estarão em Brasília.


Sendo assim pensamos em aproveitar para ampliar a participação na organização do evento para novembro e definirmos uma linha de atuação frente a questão de segurança alimentar e nutricional dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana no plano nacional a ser debatido na oficina . Desta forma conseguimos que todos nós estivéssemos em Brasília no dia 28 de agosto até as 20h.


Estamos programando uma conversa na terça feira dia 28\;08 das 21h as 23h no saguão do hotel e no dia 29/08 as 8:30 até as 11:00 em sala a ser confirmada no hotel no dia anterior. Aguardamos todos convidados


Kota Mulanji Mona Kilembeketa Loaba.


Pela Coordenação Nacional do FONSANPOTE


Objetivo Geral Alinhar conceitos que contribuam no debate de

políticas publicas de Segurança Alimentar e Nutricional para o
povo de Terreiro e garanta a manutenção da tradição de matriz
africana e a saúde de todos.

Objetivos Específicos.

Estruturar o FONSANPOTE
a nível nacional, estadual e

municipal
Reafirmar os princípios alimentares tradicionais africanos

Reafirmar os princípios de saúde e qualidade de vida

africana
Reafirmar a importância do povo de terreiro na garantia de

segurança alimentar e nutricional para a população brasileira.
Planejar a agenda e atuação do FONSANPOTE

Participantes:
Nesta plenária deve estar povo de terreiro com prática na


política nacional e

total de 100 pessoas

O Brasil caracteriza-se por sua multiplicidade sócio

cultural, expressada por cerca de 522 etnias, com modos próprios
de conduzir sua vida e de entender o mundo, o que as destaca
da “sociedade nacional”. Dessa forma, os chamados povos e
comunidades tradicionais (correspondentes a oito milhões de
brasileiros os quais ocupam ¼ do território nacional) são
excluídos do processo democrático e das políticas públicas.
A Constituição de 1988 abriu o diálogo democrático com as

comunidades tradicionais por meio da consagração do pluralismo
jurídico e democrático, bem como o reconhecimento dos seus
direitos. Assim, acompanhou a evolução do modelo baseado no
Estado Nacional para o “Estado Plural e Multi-Étnico”, que é
fruto do processo histórico e mundial de efetivação dos direitos
destas comunidades.
Em
2007
através
do
decreto
federal
6040
reconhece

as
comunidades
terreiros
como
comunidades
tradicionais
pertencentes
aos
projetos
de
segurança
alimentar
nesta
categoria.





internacional




O Brasil já anteriormente é signatário do parecer da


ONU que assume como critério de demarcação para comunidade
tradicional a auto definição como tal.
Olhando para esta realidade os grupos étnicos negros

Africanos trazidos para o Brasil que expressam de
diferentes
formas uma visão de mundo reivindica o reconhecimento do estado
sobre este massacre hegemônico étnico-cultural imposto., e tem
nos Povos e comunidades de Matriz Africana
sua reduto dos
princípios.


FORUM NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DOS POVOS DE TERREIRO

Em meio ao tumultuado cenário da luta contra a intolerância religiosa, a luta por respeito e reconhecimento dos povos
de terreiro como os mantenedores da visão de mundo africano na diáspora forçada dos africanos e de uma tradição
comprometida com a luta contra a discriminação e preconceitos e anti-racismo e principalmente com uma prática de
alimentação sagrada de troca e manutenção do meio como preservação da vida faz surgir o Fórum Nacional de Segurança
Alimentar e Nutricional dos Povos de Terreiro. (FONSANPOTE)
Entendemos o processo de construção de estratégias estadual e nacional para adequar-se a política nacional de segurança
alimentar como primordial nas discussões quanto às reparações segunda as definições oriundas da IIIª Conferência
Internacional de Durban – ONU, as nações organizadas da diáspora forçada. Este contingente populacional tido como
negros e seus descendentes, conquistam cotidianamente políticas públicas e ações afirmativas ante contextos adversos
da sociedade, o que sem dúvida tem como empenho efetivo do governo federal um marco político relevante nestas
conquistas.
Com os avanços e retrocessos, lutas e conquistas dentro da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
detectados no processo de construção da IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar no ano de 2011, mais
precisamente em Salvador é que nasce este Fórum que tem em seu cerne a defesa incondicional dos valores civilizatórios
africanos que constituem-se como Povo de Terreiro, e a defesa das suas formas de resistência em solo brasileiro todas as
nações africanas e que mantiveram e mantém um povo na busca por seus direitos e acima de tudo sua plena liberdade.
OS PRÍNCÍPIOS NORTEADORES:

1) Sobrevivência da tradição alimentar de matriz africana ;

2) Combate a fome e o direito a alimentação
3) É um espaço plural e suprapartidário o qual aglutina o povo de terreiro
4) Busca ampliar o conceito de segurança alimentar garantindo os valores civilizatórios preservados pelos povo de
terreiro.






Carta de Fundação



FORUM NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DOS POVOS DE TERREIRO

Em meio ao tumultuado cenário da luta contra a intolerância religiosa, a luta por respeito e reconhecimento dos povos de terreiro como os mantenedores da visão de mundo africano na diáspora forçada dos africanos e de uma tradição comprometida com a luta contra a discriminação e preconceitos e anti-racismo e principalmente com uma prática de alimentação sagrada de troca e manutenção do meio como preservação da vida faz surgir o Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Terreiro. (FONSANPOTE)
Entendemos o processo de construção de estratégias estadual e nacional para adequar-se a política nacional de segurança alimentar como primordial nas discussões quanto às reparações segunda as definições oriundas da IIIª Conferência Internacional de Durban – ONU, as nações organizadas da diáspora forçada. Este contingente populacional tido como negros e seus descendentes, conquistam cotidianamente políticas públicas e ações afirmativas ante contextos adversos da sociedade, o que sem dúvida tem como empenho efetivo do governo federal um marco político relevante nestas conquistas.
Com os avanços e retrocessos, lutas e conquistas dentro da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional detectados no processo de construção da IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar no ano de 2011, mais precisamente em Salvador é que nasce este Fórum que tem em seu cerne a defesa incondicional dos valores civilizatórios africanos que constituem-se como Povo de Terreiro, e a defesa das suas formas de resistência em solo brasileiro todas as nações africanas e que mantiveram e mantém um povo na busca por seus direitos e acima de tudo sua plena liberdade. OS PRÍNCÍPIOS NORTEADORES:
1) Sobrevivência da tradição alimentar de matriz africana ;
2) Combate a fome e o direito a alimentação
3) É um espaço plural e suprapartidário o qual aglutina o povo de terreiro
4) Busca ampliar o conceito de segurança alimentar garantindo os valores civilizatórios preservados pelos povo de terreiro;
5) Contrapor-se a qualquer tipo de discriminação, intolerância e as formas de sexismo e xenofobias e outras intolerâncias correlatas.


RESOLUÇÕES TIRADAS NO DIA OITO DE NOVEMBRO 2011 EM SALVADOR – BA Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Terreiro. (FONSANPOTE) é constituídos por terreiros da tradição ancestral de matriz africana e os mesmo matem sua autonomia dentro de uma organização estadual definida no momento como núcleo articulador do FONSANPOTE.

O espaço deliberativo é constituído por assembléia nacional representativa ordinária e ou extraordinária realizadas em locais itinerantes, compreendendo estar em todas os estados em que o Fórum tiver núcleo articulador.
O FONSANPOTE deve ser regido por uma carta de princípios (a ser constituída coletivamente entre os fundadores e articuladores do mesmo).
Fica definido que em seis meses a partir desta data o núcleo articulador entendidos como os representantes de cada estado presente nesta plenária constitua uma plenária estadual e apresente os terreiros da tradição ancestral de matriz africana que aderem a referida carta de princípios.
Fica definido que a secretaria executiva temporária pelo período de um ano, ficara constituída pelos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul com a função de implementar este debate da carta de princípios, a compilação das plenárias estaduais e o processo de organização da assembléia nacional do FONSANPOTE .
Anexo a esta a lista de presença e a ata da plenária com a responsabilização destes pela articulação estadual pelo FONSANPOTE.
Estados presentes que assinam esta carta:
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Goiás, Bahia, Ceará, Alagoas, Distrito Federal, Paraíba, Amazonas, Tocantins, Amapá, Sergipe, Paraná, Pará, Maranhão, Rondônia, RIO GRANDE DO NORTE.

08 setembro 2012

Erros de alguns terreiros



Como em toda família ou sociedade, estamos propensos a cometer erros. Não é só de acertos e harmonia que vivem os terreiros de Umbanda, existem erros que são praticados por alguns pais e filhos-de-santo. Sob um olhar critico, resolvemos relacionar os mais comuns e esperamos que os que lerem esse tópico concordem conosco. Esses erros tendem a gerar uma vibração negativa, vindo a desestabilizar o foco de equilíbrio:
Dar guarida a fofoca e comentários malediscentes. Lembrem-se que o ciúme é um dos maiores venenos que a pessoa pode ter;
Uso indevido de determinados elementos em determinados rituais e/ou uso de elementos estranhos ao ritual do culto;
Exploração financeira contra filhos da casa e/ou freqüentadores. A Umbanda não cobra qualquer incentivo financeiro ou material sobre seus trabalhos. Na Umbanda não se pratica a Lei de Salva, ou seja, não se paga por qualquer tipo de trabalho espiritual que venha a ser realizado;
Mau cumprimento dos preceitos pelos membros da casa;
Conduta imprópria ou desrespeitosa de membros da casa;
Atividades não relacionadas ao culto dentro do mesmo ambiente da casa;
Omissão de socorro, pouco caso ou deboche daqueles que ali buscam auxilio;
Ciúmes pelo tratamento dado pelo dirigente da casa a um ou outro filho;
Tratamento a um filho da casa de forma exagerada ou excessiva em quaisquer circunstâncias pelo dirigente da casa;
Atenção dispensada de forma exagerada ao dirigente da casa ou aos outros integrantes do grupo;
Falta de preparo dos filhos nos ritos da casa;
Elevar um filho da casa para médium de passe, sem ele estar devidamente preparado;
Deixar desavenças de ordem particular interferirem nos trabalhos;
Não dedicar pelo menos um trabalho ao mês, ao desenvolvimento dos filhos da casa;
Não transmitir os ensinamentos adquiridos, não compartilhá-los com os demais;
Agregar filhos apenas para fazer volume ou aumentar a contabilidade;
Tratar de forma diferente os filhos ou freqüentadores da casa, pelo poder aquisitivo ou pela atenção por eles dispensada;
Negar-se a auxiliar um filho da casa, quando o mesmo procura auxilio;
Não respeitar a vida particular do dirigente da casa, levando a ele problemas fúteis, fora da casa;
Confundir a liberdade dada;
Confundir Umbanda com Nação Nagô, Gêge, Ketu, Batuque, Catimbó, Juremada, Candomblé, Umbanda traçada, Umbanda branca, Umbanda esotérica, etc, etc, etc... Erros absurdos podem advir deste tipo de confusão. Valha-se do conhecimento dos fundamentos da Umbanda para poder ensinar aos demais;
Pensar que a entidade com a qual está trabalhando é sempre mais importante que as outras entidades que trabalham na casa;
Animismo excessivo, o que é extremamente prejudicial ao médium e à casa;
Aproveitar e interferir nas comunicações entre a entidade e o consulente, usando e aplicando seus próprios conceitos e exprimindo suas opiniões pessoais;
Nunca tomar a frente da entidade com a qual está trabalhando. Nunca pense que está incorporado, mas sim, tenha certeza disso antes de começar a trabalhar.
Demandar contra qualquer pessoa. Os filhos da casa devem ter consciência sobre a manipulação de energia. A Umbanda não utiliza sua magia para prejudicar quem quer que seja. A Lei Divina se encarrega para que todos tenham o que merecem;
Usar sangue ou sacrifício animal em qualquer tipo de trabalho. A Umbanda não se utiliza destes elementos para seus trabalhos. Não é sacrificando um animal ou usando sangue que se alcança a graça divina, pois nós não temos o direito de tirar a vida de quem quer que seja.
Mistificação. Abusar da credibilidade, enganar, iludir, burlar, lograr e ludibriar. MÍSTICO = misterioso ou espiritualmente alegórico ou figurado.
Adornos - estes objetos são geralmente de metal e podem causar distúrbios, visto que o médium necessita ter seus plexos nervosos isentos de quaisquer percalços que possam coibi-los em algo. E, também porque, a regra do umbandista é a simplicidade, nada de exibições, de vaidade e aparência fúteis. Casa espiritual não é casa de modas.
Roupas insinuantes. Deve-se ter consciência que ao adentrar o terreiro, você está adentrando uma casa santa, uma casa sagrada. Deve, então, livrar-se de pensamentos pecaminosos, contrários aos trabalhos espirituais. Roupas insinuantes são absolutamente negativas e dispensáveis aos trabalhos de qualquer casa espiritual. Não é mostrando o corpo ou a silhueta que o trabalho será bem desenvolvido, mas sim, completamente ao contrário.

Aos médiuns iniciantes, não convém e é ato de pura irresponsabilidade chamar as entidades com as quais se está trabalhando fora da casa de trabalhos. Isto, além de irresponsável, pode ser extremamente perigoso, pois os médiuns iniciantes ainda não conhecem as vibrações energéticas das entidades e podem dar passagem a quiúmbas ou afins sem saber.

É fato que os médiuns, ao se encontrarem nos dias de trabalho, direcionam suas conversas, muitas vezes até inocentemente, a rumos antagônicos ao desenvolvimento dos trabalhos da casa. É preciso que os médiuns tenham consciência que a preparação para os trabalhos começam à 0:00 hora do mesmo dia (pelo menos) e que conversas diversas que não são afim ao trabalho que será desenvolvido começam por desestabilizar o equilíbrio da casa.

Falta de conhecimento espiritual. As entidades valem-se do conhecimento dos médiuns para poderem se comunicar. Quando o médium pouco sabe, pouco estuda, as entidades pouco podem fazer pelo seu desenvolvimento e pelo próximo. Faz-se absolutamente necessário o estudo e a aquisição de conhecimento espiritual para atingir a própria evolução e, conseqüentemente, auxiliar as entidades em sua evolução espiritual. O conhecimento é a base do bom viver, é a estrutura de uma vida de sucessos. Atentem-se senhores (as) médiuns, que o conhecimento nunca será em demasia e é a única coisa que fará parte de cada um. As casas que possuem médiuns com alto grau de conhecimento espiritual, normalmente têm seus trabalhos muito bem desenvolvidos.

Excesso de problemas na desincorporação. Muitos médiuns têm um péssimo hábito de mostrar problemas excessivos na incorporação ou desincorporação, muitas vezes somente para mostrarem-se o quão forte são, o quão fortes são suas entidades e para tomarem um pouco mais de atenção do dirigente da casa. Lembrem-se, senhores (as) médiuns que uma entidade que chega ao terreiro para trabalhar é normalmente uma entidade com alto grau de evolução e nunca faria um filho sofrer principalmente durante sua desincorporação. Descarregar o médium quando de sua partida não tem relação alguma com sofrimento deste. Estabilizar a energia do médium não é aplicar um choque.

É comum encontrarmos nos terreiros médiuns de outras casas ou até mesmo médiuns que não se encontram trabalhando espiritualmente, terem a chance de receber suas entidades durante os trabalhos da casa. Acontece em muitos terreiros em que os capitães (!!!), mostrando absoluta falta de conhecimento e discernimento, mandarem estas entidades "subir". Notem que, se uma entidade passou pelo Sr. Tranca-Ruas, por todos os Exús que guardam a casa durante os trabalhos e por todos os Oguns que ali estão rondando para a proteção da casa é muito provável que esta entidade tenha permissão para adentrar o terreiro (por algum motivo). Interessante é o fato de alguns capitães de terreiro (!!!) acharem que possuem um conhecimento maior que as entidades que ali estão trabalhando. É preciso tomar muito cuidado com a autoridade dentro de um terreiro. Com entidades não afins ao trabalho deve-se mostrar energia e nunca desrespeito. Lembremo-nos que muitas vezes, durante os finais dos trabalhos, todas as entidades já sabem que devem deixar o plano e desincorporar. Normalmente o que segura as entidades nos trabalhos são os próprios médiuns. Outras vezes faz-se necessário que a(s) entidade(s) fique(m) no terreiro para terminar de equilibrar o ambiente e os médiuns do trabalho, bem como os consulentes que ainda permanecem ali. Srs. capitães (ou que se julgam entendidos!!!), muito cuidado com a autoridade para com as entidades e para com os filhos da casa. Um capitão de terreiro (!!!) é aquele que detém bom conhecimento espiritual, é aquele que coloca ordem nos trabalhos e os conduz a um bom fim, nunca aquele que determina, dá ordens e abusa de sua autoridade. Senhores dirigentes: cuidado ao dar "cargos hierárquicos" dentro de um terreiro. Umbanda é uma religião simples e deve ser trabalhada desta forma, sem complicações e sem cargos.

Apresentar linhas inexistentes no plano astral da Umbanda, como por exemplo BoiadeirAs ou MarinheirAs, somente por querer mostrar que a sua casa é melhor que as outras.

Permitir que entidades peçam o número do telefone dos consulentes ou coisas semelhantes!!!

Outro ponto muito interessante no qual gostaríamos de declinar é o seguinte:

Alguns terreiros, nos trabalhos com Exús e Pomba-Giras, não permitem que um médium do sexo masculino venha a incorporar uma entidade cuja energia é feminina. Têm-se um preconceito muito grande com relação a isso, chegam-se a falar que o homem que tem, ou recebe, uma entidade feminina como a Pomba-Gira, é tendencioso ao homossexualismo. Perdoem-nos àqueles que pensam dessa forma, mas seu pensamento está completamente errado. O gênero sexual é um consenso do plano físico, não existe gênero no plano astral e as manifestações de entidades femininas ou masculinas não tendem a interferir na opção sexual do médium.

Plagiando uma frase que ouvimos: "Então uma médium nunca poderia receber um Caboclo ou um Exú ou vice-versa".

Esse é um preconceito machista e absolutamente de acordo com o conceito relacionado à nossa sociedade atual. De forma alguma está relacionado às raízes da Umbanda.

07 setembro 2012


27 de setembro é Dia de Cosme e Damião

Setembro é o mês das crianças na umbanda. Homenageados em 27 de setembro, “Dia de Cosme e Damião“, os Erês aguardam suas oferendas com entusiamo para trazer sorte e proteção para sua vida.

27 de setembro é Dia de Cosme e Damião

Interceder junto aos orixás, curar doenças, auxiliar as crianças são os principais pedidos feitos em 27 de setembro, “Dia de Cosme e Damião” ou “Dia de Ibeji ou Erê” nos terreiros de umbanda em nossa homenagem especial na “ Obrigação anual para Cosme e Damião“.


Os Erês (Cosme e Damião) são lembrados na mentalização e oração do domingo

27 de setembro é dia de fazer pedidos especiais, pois os orixás crianças tem força especial para pedidos e socorro as causas impossíveis. Data propícia a vários trabalhos espirituais como:
prosperidade financeira;
melhorias no emprego;
arrumar emprego;
passar no vestibular;
passar em concursos públicos;
patuás diversos para pedidos de causas impossíveis;
trabalhos de cura espiritual, principalmente para crianças;
trabalhos espirituais para engravidar e ter um bom parto;
amarrações de amor.
O que são os Erês?

Os respeitados porta-vozes dos orixás, capazes de travessuras inimagináveis, abençoam os dias do mês de setembro e trazem cores nas velas, nos enfeites, e nos aconselham a colorir também nossas vidas!

Como toda criança, encarnada ou incorporada, não se governa, tem sempre que se ter olho vivo com o Erê. Os Erês são espíritos que optaram por continuar sua caminhada espiritual através da prática de caridade, através dos médiuns nos terreiros de umbanda.

Além de trazer a mensagem do orixá o Erê é muito bom nos cuidados com a nossa saúde e ninguém desfaz o que eles fazem, só eles mesmos. Também nos ensina sem percebermos, como é importante vigiar, ter consciência para oferecer nossos cuidados e atenção a quem precise.

Quem esteve na presença de um Erê sabe que não se pode desrespeita-lo, tanto em sua função como entidade com em sua natureza infantil e brincalhona.

As crianças da umbanda, chamados Ibeijada, são entidades infantis, e também gêmeas, por isso, são sincretizados com os Santos Cosme e Damião, homenageados pelos trabalhos de caridade com a saúde que realizaram em vida.
Participação na “Obrigação Anual para Cosme e Damião” em 27 de setembro

Ibeji, gêmeos sincretizados com Cosme e Damião

O dia 27 de Setembro é o dia para saudar Cosme e Damião e as crianças, pedindo-lhes saúde e alegria e oferecendo doces, frutas e muitas cores e cuidados.

Comece setembro exercitando essas virtudes e os Erês estarão contigo trazendo muitas coisas boas para sua vida!

Agende sua participação em nossa “Obrigação Anual para Cosme e Damião” e encomende o trabalho espiritual mais indicado ao seu caso. Faça contato e teremos prazer em ajudar você a solucionar seus problemas. Aguardo você!

O Acaso - Por um Exu das Sete Encruzilhada



Certo dia, no fundo da sua vida você sentiu uma necessidade qualquer de algo desconhecido, olhou ao redor e viu que estava tudo bagunçado, com as coisas fora do lugar, jogadas pelo chão, sobre suas prioridades, até então sufocadas.

Eis que o acaso resolveu um dia bater à sua porta e em meio a essa baderna, você abriu. Esse acaso se fez convite à mudança de vida. Você, cansado e sem ver o sol nascer a tempos, aceitou. Este convite te levou a mim, embora você não soubesse. Não sabia porque suas prioridades estavam transformadas em bolor e as coisas tolas da vida tomaram proporções maiores. Tanta proporção que virou "meio de vida" e objetivo insano a ser perseguido.

No data marcada do convite, você chega soberbo, orgulhoso e senhor de si, pois fora convidado como se fosse alguém de grande importância, o que realmente era, mas uma importância de valores invertidos na tosca visão do mundo. Para o convite do acaso, sua importância era outra.

E eu ali estava. Fora de foco e à parte aos seus gracejos. Sou pequeno, sem dimensão estelar, mas quis Alguém que fosse eu a lhe falar. Acabados os festejos, você bate em retirada... mas só seu peito sabe o quanto arfa, pois após todo o momento passado, lembra-se que se faz hora de voltar para a bagunça que havia deixado sua vida.

E agora?

Você resolve voltar àquele lugar, pois no dia do convite você se sentira bem disposto. Você resolve voltar a este local. Quando você volta, foi a mim que você foi encaminhado. Quando me viu, olhou-me desconfiado de cima a baixo, com extra auto-confiança e superioridade que alguém, por algum motivo, ensinou que deveria ter. Mesmo respeitosamente, tendo em vista a boa educação recebida, você era um ainda convidado, pois fora assim que fora aparecer lá e eu, o apêndice de anfitrião.

Mas, por obra do acaso, resolvi falar algumas coisas e comecei a notar que quanto mais lhe falava, menos você conseguia articular sua verborragia. Parecia que eu lhe dizia coisas que você não acreditava que mais ninguém soubesse ou que poderiam até existir na sua vida, mas sendo apenas tratada de forma hipotética.

E no fim desse dia, após minhas palavras, você resoluto, concordou e me abraçou. Eu sorri e você se foi. Se foi, mas com um coração renovado, alegre e de novo rejuvenescido. Nunca, na sua sã consciência você poderia imaginar que eu pudesse falar tantas coisas... logo eu, um espírito que é vítima do preconceito hipocrático da sociedade, pois ela se vale de meus serviços quando precisa... um pequenino Exu.

No correr dos dias a sua vida deu uma bela harmonizada, situações complicadas e constrangedoras deixaram de existir como que por mágica. Mágica não, irmão! Magia.

Magia.

A Umbanda trabalha com a magia.

Mas não com a bruxaria.

E sim evidencia.

A manipulação da energia.

Com o que a Natureza oferta dia a dia.

Sempre com impressionante maestria.

Estamos ligados a uma religião liberta de dogmas e expansiva em espiritualidade, atratora em amor, geradora de vida e ordenadora de atitude. A Umbanda é religião que religa o homem com Deus através dos Sagrados Orixás que emanam suas portentosas energias, e nós, guias e trabalhadores desta seara, nos fortalecemos, vibramos e orgulhamos disso porque não somos pequenos como se pensa ou age, não somos resolução ou solução barata de última hora para agentes materiais.

Nós somos espíritos manifestados para a prática da caridade, conforme ensinou o Caboclo das 7 Encruzilhadas. E nós, Exus, não somos zombeteiros e a toas das ruas, nem as Pomga-Giras são mulheres de vida fácil. Não, todos nós somos agentes da vida dura, porque trabalhamos na sua vida, mergulhados em boa vontade, dentro do seu carma, a fim de que sua vida melhore e seja expansiva em valores reais.

E, por favor, não me dê nada em troca. Sou um Exu e não um agiota. A graça de Deus me basta e por isso dou de graça o que de graça recebi.

Isso tudo eu quis dizer e você não quis escutar.

O motivo foi porque aqueles antigos anseios voltaram à tona e com proporção avassaladora e seus interesses, hoje, são maiores que as suas necessidades, que você não enxerga e nem sente. O essencial é invisível aos olhos, consta no belíssimo Pequeno Príncipe... só se vê bem com o coração!

Eu tentei te dizer isso, mas você não quis escutar.

Sua vida se tornou nova tormenta e quando pensa em me procurar, mais uma vez não ouve o que eu digo e desses interesses que a nada te levarão não quer escutar, achando que é este o caminho que deve trilhar. Afinal, quem sou eu? Apenas um agente das encruzilhadas que pode resolver problemas, essa é a sua concepção.

Quando falo em necessidade, seus ouvidos filtram interesse. E quando falo em mudança de vida, seus ouvidos traduzem "bens". Quando falo em libertação, seus ouvidos exclamam "aprisionamento à matéria" e quando falo em trabalho, eles questionam se é carma.

Daí, vendo que você busca o efeito enquanto tudo que te falei foi sobre a causa, o que mais posso fazer, sendo um Exu, senão dar-te uma injeção psíquica de palavras duras, mas com pano de fundo a mexer digna e positivamente em seu brio? Que posso fazer a não ser vitalizar seu senso de sobrevivência e desestruturá-lo quanto a sua superioridade, conquistada em castelos de areia, quando ainda em parcas eras se julgava nobre imortal?

Mas... será que meu tiro sairá pela culatra, pois se ainda traz essas parcas eras tão impregnadas, pode ser que não mais resolva escutar aquilo que já foi proveito e hoje encara como enfadonho e repetitivo. Sim, pois falo preto e você quer branco, sem ter o trabalho de se propor a clarear.

O que farei eu, um trabalhador que carrega um "fardo" que me sustenta, mas que mobiliza as vidas, se você definitivamente fugir de minha alçada? Sim, digo fuga, pois o acaso te levou até mim porque sua programação encarnatória tem um propósito e até agora você não a abraçou, achando que pelos caminhos funestos que escolheu a encontrará. E quando o "acaso" te levou até a minha frente, o mesmo pequenino espírito que você julgou e não sei ainda se mudou seus conceitos, mal sabia você quão grandiosa era a minha tarefa, pois grande é o trabalho que desempenho na minha pequenez, tão pressuposta pelos homens.

Mas, caso você fuja, não de mim, mas da verdade que ante a ela Pilatos se calou, nada mais poderei fazer a não ser empenhar-me mais em te salvar. E aí, a vida... sim, a boa e velha vida, onde nela trafega o seu carma, agirá de forma nua, fria e neutra. E, quem sabe, seja eu novamente solicitado "pelo acaso" para desempenhar esse papel. Sim, eu, o Exu. Simplesmente um Exu.

Simples porque é simples a forma de ver a vida, de como tenta incendiar a vida dos mornos e frívolos, para que estes sejam sal da terra, ou então apagá-los de vez para não ocupar um lugar indevido no cenário da vida. Simples porque nada tem de complexo, contudo trabalhoso, ser motivador de vidas e desmotivador das mesmas. Apenas agir, sem sentir, pois a Lei assim exige que se cumpra.

O Exu não cruza os braços... ele neutraliza seu tridente, embainha sua espada, guarda seu punhal, se recolhe em seu campo de força e deixa tudo... tudo entregue nas mãos da Lei.

E ali espera as ordenanças seguintes, para o cumprimento da mesma.

Espero dizer até breve, para não ter que lamentar sobre a fuga daqueles cujo o acaso divino lhes bateu a porta e lhes ofereceu ajuda para renascerem nesta mesma vida.

Por Exu das Sete Encruzilhadas das Almas

Mensagem recebida psicograficamente pelo médium Julio Cesar, Pai Pequeno do Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz.

Postado por Denis Sant'Ana

Oração a Pai Xangó

Juntos Somos Mais Forte!

Alguns textos, poemas e fotos foram retirados de variados
sites, caso alguém reconheça algo como sua criação e não
tenha sido dado os devidos créditos entre em contato.
''A intenção deste blog não é de plágio, mas sim de espalhar conhecimento e manter viva a nossa historia"

Ass: Mariano de Xangó
mariano_xango@yahoo.com

O QUE SÃO OGÃNS?

O QUE SÃO OGÃNS?
Ser Ogam é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando pontos para as entidades, médiuns e assistentes. Ser Ogam é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, humildade, concentração, responsabilidade, mediunidade e amor. O Ogam é o responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação, pela parte física e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogam pode incorporar, porém, a sua mediunidade manifesta-se normalmente, de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta, principalmente, através da intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais. Os atabaques, quando devidamente consagrados e ativados pelos Ogãns, são verdadeiros instrumentos de auxílio espiritual, pois são capazes de canalizar, concentrar e irradiar energias que tanto podem ser movimentadas pelo próprio Ogam como pelas entidades de trabalho para os mais diversos fins