30 novembro 2011

O Culto dos Caboclos Africanos na Umbanda

Companheiros espirituais ainda pouco conhecidos na Umbanda, os Caboclos Africanos são en­tidades fortes, fiéis e muito alegres.  Eles vieram das profundas selvas afri­canas, do dos antigos quilombos brasi­lei­ros e das distantes ilhas do Caribe.
Quando chegam no terreiro soltam seus gritos de guerra: “Huia!”, “Hu­huia!”, “Hui!”.  Gostam de trabalhar com bom charuto, cachimbo, pembas co­loridas e ervas medicinais.  Sentam-se no chão, olham fundo nos olhos dos consulentes, cumprimentam com força e passam muita confiança.
A maioria destes espíritos apre­senta influências bantu na linguagem, roupagem e modos.  A sensação é que estamos falando com um Preto Velho, mas sem a presença do banquinho e das palavras doces.  Os Caboclos Afri­ca­nos usam linguagem mais firme, ex­pressões mais coloridas e palavras me­nos simbólicas.  Vão direto ao assunto. 
Pai Manuel da Serraria, velho um­bandista e juremeiro, dizia com seu humor habitual:
- “Esses caboclos parecem uma mistura de exu, caboclo e preto velho mandingueiro tudo junto. Que gente grande essa...”
Excelentes combatentes, guerrei­ros do Axé e da luz, muito invocados para desmanchar demandas e feitiços. Eles conhecem os mistérios da ciência da Mpemba (pemba) e dos encanta­mentos do Mpolo Mpemba (pó de pemba), que utilizam no corte das ener­gias negativas com muita destreza. Também usam fubá de milho, carvão, farinha e café para de­senhar seus sig­nos mágicos no chão. Nas giras não dispensam a fabricação de patuás, amuletos e outras man­din­gas de tra­dição para ajudar os neces­sitados.
Costumam di­vidir-se espiri­tual­men­te em sólidas famílias ou clãs como na Mãe África.  A mais co­nhe­cida é a dos “Arranca”, gru­po arredio de luta­dores das ma­tas, que literalmente arrancam as mazelas e miasmas astrais dos lugares e pessoas. 
Seus integrantes mais conhecidos são: Arranca-Toco, Arranca-Cruzeiro, Arranca-Pemba, Arranca-Estrela, Arranca-Caveira, Arranca-Pimenta, Arranca-Cobra, Arranca-Feitiço, Arranca-Calunga, Arranca-Sepultura, Arranca-Folhas e Arranca-Dificuldade. 
Esta família é predominantemente masculina e não devemos confundir os “Arranca” Africanos com seus irmãos nativos brasileiros que também pos­suem o nome arranca (Caboclo Arranca-Toco, por exemplo).
A magia dos felinos está bem repre­sentada na pessoa do poderoso Pan­tera Negra Africano (parente espiritual do Caboclo Pantera Negra, um tra­dicional caboclo de Umbanda) e sua Falange.  Outros caboclos africanos tra­ba­lham sob o glorioso estandarte da Família Malê, levantado bem alto a espada da vitória e cortando a cabeça do dragão da escravidão (moral, espi­ritual e material), como os Africanos Mussurumi, Lele Mussurumi e Assu­mano.
Na Família dos guerreiros Congos e Angolas estão os Africanos: Azambuja, Calungueiro, Macalé, Mezala e Zam­bará. A chefia da tropa está sob a lide­rança de Pai Simão Africano, como di­zem os mais velhos.
As Caboclas Africanas são autên­ticas amazonas.  Mulheres que lutavam com facão, lança e porrete ao lado dos homens. As mais famosas, que ainda baixam nas giras, são: Africana Rosa, Africana Maria, Africana Rosária e Afri­cana Matamba. Detalhe interessante: o culto aos Caboclos Africanos é mais popular no sul do Brasil, Argentina e Uru­guai, regiões que receberam grande influência da cultura do negro bantu.  Terreiros de Umbanda Cruzada do Rio Grande do Sul, que trabalham com a tradição do Batuque, conhecem bas­tante as mirongas destas entidad es.
LITURGIA: Cores simbólicas (para velas, pa­nos e toalhas de oferendas): vermelho, branco, preto e roxo (pos­suem bastante influência dos Orixás Ogum, Omulu e Obaluaiê). 
GUIAS: predominantemente de sementes e dentes de animais ou nas cores acima mencio­nadas.
COMIDAS E OFE­REN­DAS TÍ­PI­CAS: fei­joa­da, ovos cozi­dos e tempera­dos com pimenta branca, ba­na­­nas, laran­jas e outras frutas do­ces. Ta­ba­cos for­tes (charuto e fu­mo de corda), ma­rafo, Bomba (marafo com pólvora, pimenta mala­gueta e pó de pemba.  Observação: a Bomba não se bebe, se oferenda!), marafo ou vinho tinto preparado ervas medicinais e vinho branco.
ACESSÓRIOS DE GIRA: costu­mam vestir, sempre que o Terreiro permite, chapéu de palha, lenços no pescoço, colares (guias de trabalho) e lenços na cabeça (africanas).

           PONTOS DE CHAMADA DA LINHA:
Na linha de africano
Ninguém pode atravessar.
Ô segura a pemba ê ê,
Ô segura a pemba ê á,
Ô segura a pemba ê ê,
Ô segura a pemba no congá.
A bananeira que plantei na meia-noite
Tinha seu toco na beira do terreiro.
Eu quero ver africano firmar ponto,
Eu quero ver africano feiticeiro!
Aí vem Jesus navegando no mar,
É o Povo Africano que vem trabalhar.

PONTO DE LOUVAÇÃO DA LINHA
O meu pai vem baixando de Aruanda
Para saravá os filhos da Umbanda.
Ele é Africano, ele é feiticeiro,
Vem trabalhar em nosso terreiro!


PONTO GERAL DE
CABOCLO AFRICANO*
No mato tem um toco
Queimado por um raio,
Sou caboclo africano,
Bambeio, bambeio
Mas não caio!

CUIDADO SINHÁ*
Cuidado sinhá menina,
Por onde pisa no mato,
Caboclo africano avisa
Pra tomar muito cuidado!

PONTO DE DESPEDIDA
África lhe chama,
Africano vai embora,
Vai com Deus,
E nossa Senhora!
(* Pontos de Caboclo Africano na
Linha Boi do Mato, Macaya
de Santo Antônio da Jurema).

28 novembro 2011

Pontos Cantados


Pontos Cantados.

A magia das cantigas de Umbanda.


Na Umbanda, um dos mais importantes fundamentos é o ponto cantado, cantigas em louvor aos Orixás e as linhas de entidades trabalhadoras. Estes pontos são como mantras que evocam determinadas energias, servem para trazer as entidades como para se despedir delas, além de muitas outras finalidades.



Selecionamos alguns dos mais tradicionais pontos cantados de cada linha para apresentá-los aqui. Tratam-se de cantigas utilizadas no Barracão de Pai José.

Confira selecionando abaixo a Gira desejada.

24 novembro 2011

Fotos do dia da Consciência Negra une religiões afro-brasileiras na Cidade de Mossoró R/N

Dia 20/11/2011
Encontro de religião de Matriz Africana comemora o dia da consciência negra na cidade de Mossoró R/N na estação das artes, Varias Casa de religião de Matriz Africana estava unida nua só voz  entre elas a casa de ILÉ ASE DAJÒ ÍYÀ OMÍ SÀBÁ da cidade de Areia Branca R/N que tem a frente o Babalorixá Noamã Jagun, também estava presente o Babalorixá Melquesedec da cidade de Natal R/N 
























22 novembro 2011

UMBANDA DE A A Z

Aruanda - Mundo espiritual, onde vivem os orixás
Candomblé - Religião formada na Bahia, no século 19, a partir de tradições africanas, que serviu de base para a umbanda. Possui variações regionais, como tambor-de-mina (MA), xangô (PE) e batuque (RS). No candomblé, os médiuns incorporam orixás
Ebó - Oferenda para convencer os orixás e entidades a interceder no plano espiritual. O nome oficial é ebó. Despachos são para exu, e macumba é considerado um termo pejorativo
Entidades - Espíritos que baixam e atendem os fiéis. As de direita (caboclos, pretos-velhos etc.) estão do lado do bem, e as de esquerda (exus, pombagiras), do lado de quem se consulta 
Espiritismo - Outra matriz da umbanda, de onde vieram os conceitos de caridade e solidariedade. Explica as energias do Universo e como os espíritos vêm à Terra 
Gira - Ritual em que os espíritos são incorporados. Pode ser sessão aberta ou fechada, só para membros do terreiro
Mãe-de-santo - A líder do terreiro. Sinônimos: ialorixá, madrinha, ou apenas mãe
Pai-de-santo - O líder do terreiro. Sinônimos: babalorixá, cabeça maior, padrinho, tatá
Passe - Quem foi atingido por vibrações do mal precisa tomar passe, receber vibrações vindas das mãos do médium em transe que retiram essas energias negativas
Ponto cantado - Cântico sagrado para homenagear, atrair, manter presentes e dar adeus às entidades. Também entoados em momentos especiais, como a purificação do terreiro. Os ogãs são os puxadores de pontos
Ponto riscado - Desenho formado por sinais cabalísticos, riscado com giz, para chamar a entidade ao terreiro 
Quimbanda - Culto dos exus e pombagiras, espíritos polêmicos. Antes uma religião à parte, hoje integra a umbanda e é considerada fundamental para o equilíbrio de forças no Universo 
Sincretismo - Em religião, a capacidade de fundir tradições. O candomblé já havia igualado santos e orixás, e a umbanda acrescentou espiritismo e pajelança. Novas agregações umbandistas incluem elementos do budismo, hinduísmo, cabala, búzios e tarô 
Terreiro - O local onde acontecem os rituais da umbanda. Também pode ser chamado de canzuá, caricó, templo, tenda e casa 
Zé Pilintra - Entidade das mais novas e mais populares, seria o espírito de um malandro, de terno branco e gravata vermelha. Sua inclusão mostra que a umbanda está sempre reciclando o seu panteã

21 novembro 2011

Dia Nacional da Consciência Negra une religiões afro-brasileiras em Seminário do Dix-huit Rosado

 

O Brasil celebra hoje o Dia Nacional da Consciência Negra, dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data é lembrada em Mossoró com programação iniciada ontem, com o seminário "Povos Afrodescendentes do Brasil: reconhecimento e resistência", na Biblioteca Municipal Ney Pontes, Praça da Redenção, Centro.
O evento e é realizado pela Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (Fafic), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), por meio do Departamento de Ciências Sociais e Política (DCSP), em parceria com o Grupo de Estudos Culturais (Gruesc), Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) e Núcleo do Ilê Axé Dajó Yaomi-Sabá (Ketu).
A programação de ontem contou com roda de conversa, debatendo "Educação para as Relações Étnicorraciais: racismo, preconceito e ações afirmativas", com os professores Eliane Anselmo da Silva, Lidiane Alves Cunha e Glebson Vieira, seguido da mesa-redonda "Religiões de matriz africana: segredos e mistérios", coordenada pelo professor José Glebson Vieira. Participaram como expositores Melquisedec Costa da Rocha (Ilê Axé Obá Ogodô), de Natal; Francisco Cláudio Ferreira da Silva (Casa de Culto Espiritualista do Mestre Luiz Xavier), de Mossoró, Noaman Pinheiro do Nascimento (Ilê Axé Dajó Yaomi-Sabá), de Areia Branca, e José Geraldo da Silva (Centro Espírita de Umbanda), de Mossoró. A programação de hoje também é diversificada e será realizada na praça do Teatro Municipal Dix-huit Rosado. Começa às 17h, com a tradicional Louvação a Baobá, sob a responsabilidade de José Neto de Almeida (Centro Espírita de Umbanda/Mossoró; às 18h30, haverá Culto de Juremeiros (toré), cujo responsável é Melquisedec Costa da Rocha. Também haverá apresentação de Grupos de Capoeira e Sirê Campal: conhecendo os orixás, sob a responsabilidade de Noaman Pinheiro do Nascimento. Sobre a Louvação a Baobá, José Neto de Almeida informa que o ato reunirá artistas afrodescendentes de Mossoró, como a atriz Tony Silva, numa união dos terreiros em louvação ao baobá, árvore típica da África, considerada sagrada e milagrosa pelos adeptos de umbanda, simbolizando louvor aos orixás e antepassados (escravos e pretos velhos). "O baobá é uma árvore milagrosa cultuada pelos orixás, e a louvação a ela simbolizará a união de todos os terreiros de umbanda de Mossoró, com a presença de artistas", diz Neto, acrescentando que o ato e a programação devem reunir centenas de pessoas e serão destaques do Dia da Consciência Negra no interior do Rio Grande do Norte. Além da presença de artistas, como atrizes, atores, músicos, entre outros, o ato de louvação ao baobá simbolizará reverência a Dona Amélia, uma das umbandistas mais antigas de Mossoró e cujo respeito é saudado e reconhecido por todos como exemplo de respeito e fidelidade aos fundamentos da umbanda a serviço do bem e do ser humano. 
Luta diária contra discriminação e preconceito continua como desafioMembro do Centro Espírita de Umbanda/Mossoró, José Neto de Almeida diz que uma das reivindicações do segmento é a instituição de uma data municipal de consciência negra, de preferência um feriado local, a fim de dar mais visibilidade ao lado espiritual da cultura negra, com ênfase para umbanda, candomblé, entre outros. "São religiões ainda muito discriminadas que precisam ser mais aceitas, geralmente provocado por falta de informação, e a instituição de uma data contribuirá para enfrentar o preconceito e a discriminação. A instituição de uma data pelo poder público será uma importante contribuição nesse sentido, sentido de aceitação", afirma. Em relação à programação de hoje, além do culto a baobá, haverá Culto de Juremeiros (toré). É considerado juremeiro, aquele que além do culto aos orixás também cultua a jurema sagrada, passando assim por iniciação até ser totalmente pronto dentro da jurema, altura em que ele se chama tombo de jurema.

DATA
O Dia Nacional da Consciência Negra, hoje, é em homenagem à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, dia 20 de novembro de 1695. O quilombo era uma localidade onde escravos se refugiavam. Com o passar dos anos, chegou a atingir uma população de vinte mil habitantes, em razão do aumento das fugas dos escravos. O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos. Belo, procura-se evitar o desenvolvimento do autopreconceito, ou seja, da inferiorização perante à sociedade. Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, entre outros.

Oração a Pai Xangó

Juntos Somos Mais Forte!

Alguns textos, poemas e fotos foram retirados de variados
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''A intenção deste blog não é de plágio, mas sim de espalhar conhecimento e manter viva a nossa historia"

Ass: Mariano de Xangó
mariano_xango@yahoo.com

O QUE SÃO OGÃNS?

O QUE SÃO OGÃNS?
Ser Ogam é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando pontos para as entidades, médiuns e assistentes. Ser Ogam é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, humildade, concentração, responsabilidade, mediunidade e amor. O Ogam é o responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação, pela parte física e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogam pode incorporar, porém, a sua mediunidade manifesta-se normalmente, de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta, principalmente, através da intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais. Os atabaques, quando devidamente consagrados e ativados pelos Ogãns, são verdadeiros instrumentos de auxílio espiritual, pois são capazes de canalizar, concentrar e irradiar energias que tanto podem ser movimentadas pelo próprio Ogam como pelas entidades de trabalho para os mais diversos fins