19 março 2015

O momento é de união, diz Babá Pecê Durante a cerimônia em louvor a Ogum, realizada no último sábado, dia 14

Preocupado com os constantes ataques sofridos pelas religiões de matrizes africanas, o Babalorixá da Casa de Oxumarê, Sivanilton Encarnação da Mata, mais conhecido como Babá Pecê, reuniu os integrantes do terreiro e da comunidade para fazer um grande chamado para o povo de axé.

Durante a cerimônia em louvor a Ogum, realizada no último sábado, dia 14, o sacerdote convocou a todos para que juntos pudessem praticar o perdão coletivo, que no candomblé é o Ojo Fyedenu. De acordo com Babá Pecê estamos vivendo um momento extremamente delicado e todas as pessoas que são ligadas as religiões de matrizes africanas devem se unir em prol de um único objetivo: fortalecer a religiosidade na luta contra aqueles que tentam nos oprimir, calar nossas vozes, degradar nossas crenças, e desqualificar nosso culto e nossa fé.
“É hora de acabarmos com nossas diferenças internas. Vamos colocar em prática o Ojo Fiyedenu: o perdão que nos une! Se temos algum problema com um irmão de axé, ao invés de expor, de macular a imagem do outro, vamos nos acertar internamente. Temos é que nos unir contra quem tenta nos exterminar, isso sim”, afirmou o babalorixá.

Antes de terminar a convocação para o Ojo Fiyedenu, Babá Pecê fez um resgate histórico sobre a condição do povo africano no Brasil. Desde a sua chegada como ser escravizado e como tiveram que superar as suas antigas diferenças para assegurar a sobrevivência depois de terem sido sequestrados da África para servirem aqui no Brasil e em outros países da diáspora.
“Eu, Sivanilton da Mata, líder religioso, Babalorixá da Casa de Oxumarê declaro Fyedenu. Juntos, unidos para mais um combate. Convoco a todos os adeptos das religiões de matriz africana e espiritualistas, para uma grande cruzada contra a intolerância que nos atinge. Nos despindo das vaidades, aproximando as diferenças, praticando a alteridade, respeitando as diversidades. Reafirmo: do perdão nasce a união”, finalizou Babá Pecê.

Manifesto Religioso
Ojó Fiyedenu
Desde os primórdios da colonização, quando da introdução do braço escravo negro em terras brasileiras, a religiosidade africana trazida pelos grilhões da escravidão atravessou séculos e desenvolveu mecanismos de resistência e sobrevivência, graças a um singular momento, em que povos de diferentes etnias e complexos culturais distintos foram singularizados pelo estatuto do escravismo e com isso iniciaram um processo, de aproximação pelo instrumento cultural da religiosidade, que criou e também tornou-se um símbolo de identidade. A construção dessa identidade tornou-se viável, quando o elemento africano aqui escravo foi gradualmente percebendo, que a religião era um de seus maiores valores, a fim de resistir as agruras dos castigos e atentados a sua condição humana. Os conflitos étnicos, políticos e territoriais existentes no continente africano, cenário de guerras e conquistas tornaram-se aos poucos, epopeias de povos, que reinventaram uma nova sociabilidade, religiosidade e relações de poder, a fim de não sucumbir à opressão da chibata. A necessidade da união trouxe consigo a graça do perdão, que aproximou e irmanou povos sob a benção dos deuses. Ojo Fiyedenu: o perdão que nos une!
Hoje, mais uma vez e mais do que nunca Ojo Fyedenu deve ser o perdão que há de nos unir contra aqueles que mais uma vez tentam nos oprimir, calar nossas vozes, degradar nossas crenças, desacreditar nosso culto e nossa fé. Os que nos atacam buscam de inúmeras maneiras nos outorgar o estigma do primitivismo, da barbárie, do “mal”. Atentam contra os princípios democráticos de nossa sociedade, que vem ao longo de décadas fortalecendo os pilares de um Estado fundado nos princípios inalienáveis da liberdade e da plena participação do cidadão. Repudiamos qualquer ato que se apoie na opressão e que busque reprimir nossas manifestações e de outros credos, vitimados por perseguições e ataques.
Eu, Sivanilton da Mata, líder religioso, Babalorixá da Casa de Oxumarê declaro Fyedenu. Juntos, unidos para mais um combate. Convoco a todos os adeptos das religiões de matriz africana e espiritualistas, para uma grande cruzada contra a intolerância que nos atinge. Nos despindo das vaidades, aproximando as diferenças, praticando a alteridade, respeitando as diversidades. Reafirmo: do perdão nasce a união!
Para sobreviver necessitamos resistir e para resistir precisamos nos unir. Afastar de nós tudo aquilo, que nos divide, nos separa, nos isola e mina nosso ímpeto de derrubar os muros da ignorância, do obscurantismo, dos radicalismos, que se levantam contra tudo que acreditamos.
Ecoam sobre nós as vozes daqueles que tanto lutaram, para que pudéssemos hoje prestar culto aquilo que nos foi legado. Nações, Axés pedaços de um todo, elos da mesma corrente, que não prende, liberta, que não cala, clama por liberdade e respeito. O momento é agora. Não nos cabem dissenções, mas sim o ombro a ombro, braços dados, ousados por aquilo que nos iguala: a nossa fé.
Hoje, quatorze de março, data da liturgia de Ogum em nosso terreiro a espada e o escudo alerta-nos que é preciso resistir. Orixá que ensinou ao homem, o poder de domesticar as plantas e com isso alimentar o corpo. O poder de fundir o metal e com isso vencer as dificuldades naturais. Transformação e progresso juntos nas mãos do ser humano. Mas para superar foi preciso antes de tudo acreditar. Acreditar, que para vencer é preciso remover o que nos enfraquece e fortalecer o que nos une. Antes de abraçar a causa, abraçar o outro, lutar não por um, mas por todos
Da diferença nascerá a resistência. Compreendendo o verdadeiro sentido do vocábulo IRMÃO. Perdoando-nos e na força do abraço fundaremos um novo tempo. Tempo de mudanças, de afirmações. A causa é nobre e a luta é justa.
Sivanilton Encarnação da Mata
(Babá Pecê)
Casa de Oxumarê
 
Fonte Casa de Oxumare 

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O QUE SÃO OGÃNS?

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Ser Ogam é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando pontos para as entidades, médiuns e assistentes. Ser Ogam é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, humildade, concentração, responsabilidade, mediunidade e amor. O Ogam é o responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação, pela parte física e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogam pode incorporar, porém, a sua mediunidade manifesta-se normalmente, de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta, principalmente, através da intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais. Os atabaques, quando devidamente consagrados e ativados pelos Ogãns, são verdadeiros instrumentos de auxílio espiritual, pois são capazes de canalizar, concentrar e irradiar energias que tanto podem ser movimentadas pelo próprio Ogam como pelas entidades de trabalho para os mais diversos fins