01 fevereiro 2012

A FEBRE DO ÍYAWO DEKÁ

Pelo Brasil à fora, tem acontecido a entrega de título sacerdotal, o famoso ÍYAWO DEKÁ. Não vejo isso como tradição dos antigos, mas, sim como conveniência de pseudos sacerdotes em querer atropelar o tempo e o curso dos princípios e da liturgia. Todos sabem que o candomblé é uma religião iniciática e por isso todos os fiéis do culto precisam passar por uma iniciação e concluir essa etapa com a obrigação de sete anos. Porém, alguns corruptores e corrompidos que visam o dinheiro, o seu próprio bem estar, não estão nem ai para tais princípios na verdade ignora-os. Hoje vemos em muitas casas pessoas que se deitam abian e em poucos dias de recolhimento se levantam "babalorixá". Só pode ser piada uma coisa dessa!

Estão fazendo supletivo para Pai de santo. Não querem passar pelo ciclo de formação de um sacerdote de candomblé e ainda dizem que foi o Orixá quem quis; o Orixá não é irresponsável ao ponto de colocar alguém sem o devido conhecimento para cuidar de Orí de ninguém. Candomblé é coisa séria, não é futilidade e nem brincadeira de faz de conta. Estão querendo corromper a tradição, a cultura deixada pelos nossos ancestrais e ainda têm o despautério de chamar de oralidade. Esses Iyawo Deká, são a vergonha, a escória do candomblé, são pessoas que não conhecem nem a sua própria ancestralidade e, o pior é que uns com um mês que recebem o pseudo título já entrega a outro sem noção. Dá para crê nisso?

Em toda a parte do Brasil se encontra um Iyawo Deká, porque é muito mais fácil receber a famosa "cuia" em 3, 5, 7 dias no ritual de abortodo que passar pelo tempo de iniciação e formação de um sacerdote que corresponde a sete anos. 

Se compararmos o Iyawo Deká com um estudante de medicina me questiono se alguém faria uma cirurgia de cabeça com um estudante de neurocirurgia que está cursando o primeiro ano acadêmico ou com um professor/especialista que atua na área há mais de sete anos? Não da pra colocar a nossa vida e o nosso destino em mãos erradas. 

Os Iyawo Deká, pelo menos os do Rio Grande do Norte, em suas entrevistas tem mostrado o seu total despreparo de conhecimento a cosmologia, a cultura, a tradição e a iniciação do candomblé. Na verdade adoram uma "fechação" e deturpar com esse ritual aberrativo a linda imagem do candomblé.

Uns carregam os pendurucalhos no pescoço para exibir seu status de "babalorixá" e esquecem que a missão é de humildade, compreensão, luta, caráter, aprendizado gradativo e com responsabilidade, pois a nossa Orí toma conhecimento com o que é comportável. Ninguém vomita o que não come!

Se queixem, repudiem, ignorem ou contraponham quem se tocar, mais Iyawo Deká não passam de aberrações, de figura animada e pitoresca. Põem os princípios, as máximas, a cultura em xeque. Já ouvi um Iyawo Deká dizer que sem ejé não tem Orixá. E onde fica o provérbio que diz: KOSI EWE, KOSI ORIXÁ? - Sem folha não existe Orixá. É por essas e outras piores que digo que a invenção irresponsável do Iyawo Deká, foi por motivos de conveniências, nada mais.


Postado por http://axedovale.blogspot.com

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