16 dezembro 2015

Sentir e estudar a Umbanda ( Paulo Ludogero )


Sentir e estudar a Umbanda

Estava pensando sobre a importância desse assunto.

Tenho 46 anos de idade. Nasci dentro de um terreiro de Umbanda, minha família sempre foi Umbandista e descobri nas palavras de Mãe Saipuna a importância da simplicidade e da humildade, descobri nos gestos da Êre Marizilda a pureza de gestos e de palavras. Ambas entidades que assistem minha mãe Maria Imaculada.

Senti na pele diversas vezes a energia fluir pelo terreiro de meu avô, aprendi com poucos anos de idade a sentir a Umbanda.

Como alguns dizem e fazem questão de dizer, sou antigo, ortodoxo e carrego em mim a essência da Umbanda antiga ou tradicional. 

Carrego sim… Com honra e com amor, vivenciei muitos momentos lindos e rogo a Deus para poder vivenciar mais momentos de alegrias e emoções.

Concordo que é necessário sim conhecer nossa religião, estudar a sua história e entender os fundamentos que estão em nossa ritualística. Mas não podemos perder nossa tradição e substituir o trabalho das entidades. Entender o marafo de Exu, é compreender a ritualística de nossa religião. Concordo que existem médiuns que mal estão incorporados e fazem mal uso do elemento álcool, por isso é necessário estudar.

O estudo reafirma nossa fé e nos dá compreensão do que estamos fazendo antes, durante e após os trabalhos espirituais.

Mas o estudo não consegue fazer com que o médium sinta a Umbanda! E isso não depende, se ele tem um ou mais de 30 anos de mediunidade, se tem estudo ou não tem estudo relacionado a Umbanda.

Sentir a Umbanda é se emocionar com a manifestação do guia chefe da casa, é sentir os pelos da pele se eriçarem, é sentir o coração acelerar! 

É entender o olhar austero do Caboclo…
Se emocionar com a sabedoria dos Pretos Velhos..
Chorar e dar risada com a pureza dos Êres…
Se sentir protegido com a Capa do Exu…
Poder se abrir emocionalmente com a Pomba Gira…

Sentir a energia pulsar em nossos corações com a manifestação dos Orixás…

Para tudo isso o médium, o ser tem que estar com a mente voltada para a evolução espiritual, tem que ter bom coração, tem que perdoar e saber ser perdoado…

Tem que ter a boa vontade de querer mudar seu comportamento e entender que a Umbanda é uma via de evolução, é uma religião, é o religar-se com Deus… 

Todas as entidades nos ajudam a extrair de nosso íntimo o fel dos maus instintos que nos levam a nossas quedas conscienciais, mas para isso temos que querer mudar.

Temos que sentir a Umbanda como ela é!!! 

Estudar a Umbanda e entender como ela é, é Divino. Mas sentir a Umbanda como ela é, é muito melhor!

Temos que unir os dois, mas nunca podemos desfazer dos antigos que aprenderam a Umbanda, apenas sentido-A com o coração.

Essas últimas semanas, durante as festividades de mãe Iemanjá, reencontrei diversos irmãos, conheci pessoas novas e fiz novas amizades.

Discutimos e conversamos muito sobre a Umbanda…

Mas nada se comparou quando os trabalhos começaram, nada se comparou quando fomos ao Mar entregar nossas oferendas e rezar para a Mãe Iemanjá.

Me emociona ao lembrar dos momentos que vivi ao lado minha mãe, meu irmão Edson Ludogero, de todos os meus irmãos de santo, minha esposa Catia Lu, meu filho Renan Ludogero, meus filhos e netos de santo…

Amo a Umbanda e através das pessoas que vivem ao nosso lado, podemos sentir a Umbanda nos tocar, cada um a sua maneira desde que tenha ética, respeito e amor…

Agradeço a todos os meus irmão da Tenda Espirita de Umbanda Santa Rita Cássia, aos meus filhos Viviane Carvalho, Fabiana Esteves, Thiago Esteves, Adérito Simões,Francine Simões por confiarem e levarem seus filhos para que pudéssemos sentir a Umbanda como ela é!

Paulo Ludogero
14/12/2015

Reações:

2 comentários:

  1. Obrigado por compartilhar irmão, me emocionei ao ver a publicação.

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    1. Bom dia irmão pode conta com o nosso Blog, muito axé pra vc!

      Excluir

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O QUE SÃO OGÃNS?

O QUE SÃO OGÃNS?
Ser Ogam é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando pontos para as entidades, médiuns e assistentes. Ser Ogam é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, humildade, concentração, responsabilidade, mediunidade e amor. O Ogam é o responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação, pela parte física e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogam pode incorporar, porém, a sua mediunidade manifesta-se normalmente, de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta, principalmente, através da intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais. Os atabaques, quando devidamente consagrados e ativados pelos Ogãns, são verdadeiros instrumentos de auxílio espiritual, pois são capazes de canalizar, concentrar e irradiar energias que tanto podem ser movimentadas pelo próprio Ogam como pelas entidades de trabalho para os mais diversos fins