15 julho 2016

Ilê Axé Opô Afonjá celebra 80 anos dos Obás de Xangô

O Pátio de Xangô, dentro de um dos terreiros de Candomblé mais reconhecidos do Brasil, se arrumou para a festa. Foram chegando cadeiras, uma mesa, o pano-da-costa e convidados, enquanto os atabaques se posicionavam de frente para o Machado de Xangô. É dia de festa no Ilê Axé Opô Afonjá, no bairro de São Gonçalo, em Salvador. Nesta quarta-feira (13), a Casa festeja os 80 anos de criação do corpo sacerdotal dos Obás de Xangô.

O título, exclusividade do terreiro de Nação Kêtu que tem 116 anos de história, equivale a uma espécie de ministro. Ele foi criado, há 80 anos, por Eugênia Anna dos Santos, a Mãe Aninha Obá Biyi, fundadora do terreiro em Salvador e também no Rio de Janeiro – se estivesse viva, Mãe Aninha festejaria, também nesta quarta-feira, 147 anos.


Obás de Xangô receberam homenagem nesta quarta-feira (13) no Ilê Axé Opô Afonjá
(Foto: Marina Silva/CORREIO)
De acordo com o presidente do Conselho Civil do Ilê Axé Opô Afonjá, Ribamar Daniel – o Obá Odofim –, os Obás foram criados para homenagear Xangô, o rei de Oyó, orixá da justiça. “O título de Obá é geralmente concedido aos Ogãs – sacerdotes – da Casa e a personalidades que frequentam o terreiro. São 12 obás, sendo seis da direita, que têm direito a voz e a voto, e seis da esquerda, que têm direito a voz”, explica o Obá Odofim – um dos seis da direita, que tem direito a tocar o xeré em saudação a Xangô.

“Os Obás são o braço direito da Iyalorixá dentro do terreiro, cuidando tanto de questões civis quanto algumas religiosas, já que o conselho religioso é formado só por mulheres”, explica o músico, artista plástico e publicitário Adriano de Azevedo, o terceiro Obá Abiodum da história, responsável por liderar o corpo sacerdotal. “Meus antepassados contavam que Mãe Aninha agiu estrategicamente ao criar o corpo de Obás”, explica Adriano.

A Iyalorixá da Casa, Mãe Stella de Oxóssi, concordou. Ela disse, ainda, se sentir orgulhosa do fato de o Afonjá ser reconhecido como um exemplo. Mãe Stella aproveitou para homenagear Mãe Aninha e relembrou o papel importante da mãe de santo na luta contra a repressão aos terreiros de Candomblé e à capoeira.
Mãe Stella de Oxóssi lembrou histórias da atuação de Mãe Aninha em defesa do culto afro
(Foto: Marina Silva / CORREIO)


“Bem na recessão, ela conseguiu embarcar num navio e foi ao Rio de Janeiro, por intermédio do ministro da Casa Civil Osvaldo Aranha, e ela conseguiu falar com Getúlio Vargas e pediu a ele, bem na 'cara de pau', para que permitisse que a gente pudesse adorar os orixás. Daquele dia em diante, foi mais fácil adorar os orixás”, disse Mãe Stella, se referindo ao Decreto 1.202, de 1939, que retirou dos municípios o poder de repressão direta aos terreiros e à capoeira. 

A historiadora americana Jamie Lee Anderson, nascida na Califórnia, que veio para a Bahia para um mestrado sobre Estudos Étnicos e Africanos na Ufba, aguardava para conhecer, pela primeira vez, a história dos Obás. Lá, encontrou visitantes de Michigan, também nos Estados Unidos, e acabou fazendo as vezes de tradutora.

“Eu fiz a minha pesquisa sobre a história do matriarcado e esse terreiro faz parte dessa história. Também não conhecia Mãe Stella pessoalmente, só conheci hoje. Eu já conhecia o terreiro pela parte histórica, agora venho conhecer pela parte da festa”, disse Jamie, que vive no Brasil há cinco anos.

Programação

Enquanto Mãe Stella de Oxóssi se preparava para a abertura da celebração em homenagem aos Obás, visitantes foram chegando: desde a comunidade, que aproveitou o dia de festa para fazer consultas médicas e odontológicas de graça pelo ônibus do projeto Saúde em Movimento, até professores, turistas e estudiosos.

A diretora da Editora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Sandra Soares, foi ao local entregar oito exemplares de livros já publicados pela editora com temática relacionada ao candomblé. Um acordo de cooperação garantiu que todas as próximas publicações também sejam entregues para a Biblioteca do Afonjá. A Uneb também cedeu servidores e estagiários para trabalhar na biblioteca.

Projeto Saúde em Movimento faz atendimentos médico e odontológico de graça mensalmente no terreiro
(Foto: Marina Silva / CORREIO) 

Ainda nesta quarta, o pesquisador Muniz Sodré faz uma palestra sobre a história dos Obás, enquanto Jaguaracira Sant’Anna lança o livro Um Presente de Xangô: Minhas Memórias. Durante a tarde, estão previstas ainda oficinas, debates e apresentações culturais.

Já o atendimento no ônibus Saúde em Movimento segue até o final da tarde, com a realização de 50 consultas para adultos com clínico geral e ginecologista, 50 consultas com pediatra, além de limpeza e extração dentária, aferição de pressão, glicemia, anemia falciforme e teste rápido de detecção do HIV.

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O QUE SÃO OGÃNS?

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Ser Ogam é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando pontos para as entidades, médiuns e assistentes. Ser Ogam é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, humildade, concentração, responsabilidade, mediunidade e amor. O Ogam é o responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação, pela parte física e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogam pode incorporar, porém, a sua mediunidade manifesta-se normalmente, de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta, principalmente, através da intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais. Os atabaques, quando devidamente consagrados e ativados pelos Ogãns, são verdadeiros instrumentos de auxílio espiritual, pois são capazes de canalizar, concentrar e irradiar energias que tanto podem ser movimentadas pelo próprio Ogam como pelas entidades de trabalho para os mais diversos fins